sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O Linguado vai adormecendo

Tudo tem um fim (exceto, como escreveu um poeta da grande tela, as salsichas, que têm dois). O Linguado vai adormecer. Foi bom enquanto durou, etc.

A partir de agora, a minha atividade bloguística divide-se.

Para a atualidade e a irritação, é no menos barroco "O pessimista positivo" que me encontram.

https://opessimistapositivo.blogspot.com/

Para um repositório das experiências mais artísticas dos meus heterónimos ArtDeCo, Augusto de Lima e Arthur C. Flounder, vou para o Perspetivas. Aí publicarei coisas novas e também republicarei os materiais que já aqui apareceram.


https://arturalcosta.wordpress.com/

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Sapato não...

E foi assim que voltei ao trabalho, após um mês a usar chinelinhos e uma sapatilha brasileira muito confortável...

terça-feira, 28 de agosto de 2018

If you plan cities for...

Neste agosto dei uma volta por algumas grandes, médias e pequenas cidades portuguesas, espanholas, francesas, italianas e suíças. Pude confirmar o progresso das politicas públicas urbanas europeias e da sua materialização concreta nas nossas cidades - bastante distinta do que percebemos nos discursos inflamados dos políticos ou nas "postas" das redes sociais.
Basicamente, a evolução foi a seguinte: onde antes se planeava e agia em função do tráfego automóvel e das deslocações periferia-centro, agora alarga-se a periferia ao espaço global e adapta-se a cidade ao não-residente (turista, visitante) e ao "novo" automóvel (elétrico, claro; e, proximamente, autónomo).
No fundo, muito pouco mudou. Podemos abrir a boca de espanto com as ciclovias e deixar-no deslumbrar com as palavras dos autarcas, ministros e DDT,  antecipando prazerosamente o ar puro das nossas futuras cidades inteligentes. Mas o que teremos, na realidade, serão lugares congestionados e de duvidosa eficiência energética, social e ambiental.
De cada vez me custa mais retomar o trabalho...



quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Em Génova

Passeei-me, comi e dormi em Génova há dois dias. Custa a acreditar que os edifícios do decadente e denso centro histórico se aguentem em pé - mais do que antigo,  tudo parece velho. Mas, afinal, a engenharia moderna e a falência dos Estados contemporâneos é que traíram  aquela gente.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

DDT

Os donos disto tudo já passaram à história, agora adoram-se as donas disto tudo. O cheiro é o mesmo, mas as caras são diferentes. Não são, necessariamente, mais atraentes, mas isso já é o meu gosto a falar. Como se dizia no meu tempo, saem ao pai.



Alterações climáticas

Está calor. E esta notícia de 1 de agosto de 1944 prova-o.

Não é que eu duvide ou deixe de duvidar das alterações climáticas e da necessidade de as prevenir e combater, enquanto nos vamos adaptando. Ou que não acredite que a economia circular vai revolucionar o mundo. Tenho a certeza que a descarbonização das atividades humanas é um imperativo. E a sociedade digital, o urbanismo smart, os modos suaves de mobilidade, a inteligência artificial? São incontornáveis. Tudo isto, valha o que valha, está por aí e é, em primeiro lugar, um excelente negócio para todos nós.

Se vai "salvar" a humanidade ou o planeta? Não vai, claro. 

Abordar as alterações climáticas com a realização de cimeiras globais, que emitem quantidades colossais de GEE, não é caminho nenhum. Estimular o turismo, ou seja, milhões de pessoas a deslocar-se por grandes distâncias, usando transportes poluentes, por motivos fúteis é, no mínimo, uma contradição. Aumentar a pegada ecológica da humanidade através da proliferação de apêndices caninos, que consomem mais do que o habitante médio do planeta, só pode, à luz destas preocupações, considerar-se estúpido. Mudar de smartphone semestralmente ou anualmente, para acompanhar a tendência ou os últimos desenvolvimentos tecnológicos, não me parece muito smart. Ah!, pois, a economia circular resolve...

Mas o que eu penso ou apregoo é irrelevante. O importante é o que eu faço. E faço muito pouco.


sexta-feira, 27 de julho de 2018

O plástico na era dos cães


Vou chamar a mim o ódio, ou o desprezo, da maioria dos meus conterrâneos e contemporâneos, mas isso pouco me importa. Incomoda-me o cheiro no elevador e nas escadas, incomodam-me os bichos a ladrar nos prédios (muito mais do que os turistas do alojamento local), incomodam-me as poias nos passeios (e nos sapatos), incomoda-me, agora também, a quantidade de plástico que, ao contrário do que navega pelos mares ou trazíamos do supermercado, parece ser socialmente aceitável - e, até, estimável.
Sim, estou a falar desta sociedade canina, em que os animais têm direitos de pessoa e preenchem o vazio psico-sentimental das gentes urbanas, compensando com um bocadinho de realidade a aridez das relações nas redes sociais.
Tivemos o desígnio nacional de eliminar os sacos de plástico nos supermercados. Agora levanta-se a voz indignada do mundo contra o plástico nos oceanos. E a comunidade política, técnica e científica que se dedica à "economia circular" reflete, afincadamente, sobre como prolongar eternamente a utilidade dos plásticos velhos, de forma a que nunca venham a ser "resíduo".

Ao mesmo tempo, milhões de citadinos sentem-se muito civilizados e decentes porque, quando os seus entes queridos cagam na rua, sacam do saquinho de plástico e apanham a coisa. Isto é um orgulho, e as câmaras municipais não se poupam a despesas, disponibilizando os ditos saquinhos um pouco por todo o nosso espaço coletivo.

Temos que levantar a voz! Mais plástico, não! Claro que a única coisa aceitável é que só saiam com os fiéis amigos à rua depois de eles cagarem em casa. Mas, à falta de condições (talvez as retretes sejam largas demais; uma chamada de atenção para os regulamentos, que não são inclusivos), levem um balde e uma pazinha. Melhor ainda: para que os vossos entes queridos se sintam realizados e mostrem que são cidadãos de pleno direito, usem aquele velho truque dos cães-pedintes: o gajo que carregue, ele próprio, o baldinho.

PS: sim, é verdade: os passeios de Matosinhos metem nojo, e hoje de manhã pisei uma bosta. Estou mal disposto.