terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Pré-verdade? Realidade alternativa?

A notícia está em toda a imprensa internacional, mas em Portugal ainda é pouco notada. A malta deve andar desconcertada, não sabendo exatamente como reagir depois de horas e horas de gozo com a história de Trump e "o que está a acontecer na Suécia". Afinal, o que sabia o homem quando falou? E o que não sabiam os inteligentes que o criticaram?


domingo, 19 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Quem paga a conta?


Voltando à questão dos SMS de Centeno, Domingues, Costa, Marcelo, Marques Mendes e Lobo Xavier. Afinal, que telemóvel usou o ministro?
Se foi o seu telemóvel pessoal, do qual paga a conta do seu bolso, posso dar alguma razão ao PS: os SMS não passam de conversas privadas, e fiquemos pela constatação de que o ministro, e o seu chefe, são apenas mentirosos (ou vítimas de erros de perceção mútua). Já o sabíamos, e parece que muitos portugueses não se preocupam com isso.
Se o telemóvel é do Estado, ou quem paga a conta são os contribuintes, a história é outra. O detentor do cargo público em causa pode usá-lo para conversas privadas? Se não é suposto fazê-lo, não há ali uma infração? E se, por acaso, o funcionário estiver autorizado a fazer uso pessoal do telemóvel, isso não é uma remuneração que, eventualmente, estará a ser escondida às Finanças? Mesmo que entre na categoria de despesas de representação, isso não se aplica apenas a gastos que tenham relação com a atividade ministerial?
Dir-me-ão, com a habitual tolerância pela pequena vigarice, que toda a gente faz estas coisas. Talvez, mas convinha que o Tribunal de Contas se pronunciasse. Ou o Ministério Público. Não dizem que Al Capone, depois de anos e anos a roubar, traficar e matar, apenas foi preso porque se enganou numas declarações fiscais?
Quanto aos SMS, não se preocupem com isso. O Correio da Manhã, o Público e o Seringador hão de acabar por divulgá-los a todos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Us and them: o mundo cor-de-rosa


Por cá, temos o "erro de perceção mútua". Eles têm os "factos alternativos". Aqui, os responsáveis políticos contradizem-se todos os dias, enquanto remendam trapalhadas. No governo deles reina o caos. Os nossos políticos esfaqueiam-se por interpostos SMS. Lá, criticam-se abertamente no Twitter. Aqui, os ministros e os secretários de estado mentem e vendem-se, mas aguentam-se alegremente, bem protegidos. Lá, mentem e vendem-se, mas são continuamente atacados e demitem-se, ou são demitidos, com frequência. Nós somos diariamente presenteados com mais um contrato, um acordo, um negócio, com amigos. Lá, o presidente promove a marca de roupas da filha. Por aqui, os políticos confundem-se com os administradores da CGD e do BES. Por lá, com o Goldman Sachs.

Mas a grande diferença é esta: nós temos um governo, uma maioria, um presidente, sem mais controlo, pois os juízes preocupam-se com a progressão na carreira e a imprensa vende mais no meio do lodo; eles têm um sistema judicial que escrutina a legalidade das coisas e uma imprensa exigente. Os americanos, esses que qualquer português analfabeto considera uns grunhos, têm uma democracia e um povo que se ergue. Os portugueses têm compadres que se entendem no meio de uma paisagem bovina de cornos mansos.


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