sexta-feira, 28 de abril de 2017

Cocós


No que respeita à tolerância de ponto concedida pelo governo para os funcionários públicos irem a Fátima, ou pelo menos a retirar-se em comunhão com o Espírito Santo e Nossa Senhora, eu podia estranhar o facto do PC e do Bloco serem favoráveis. Afinal, o papa, ... a igreja romana e essas coisas, estão a ver? Mas até compreendo que concordem, pois trata-se de dar mais um beneficiozinho aos funcionários públicos e a lixar a vida dos burgueses, que se vão ver à nora para ir às consultas e cirurgias, que esperam há meses e meses, do SNS.


Claro que tudo isto vai ter a sua piada: os pais burgueses, aflitos para conseguirem ir trabalhar sem deixar os filhos na rua; enquanto os pais remediados e operários, com filhos no Colégio do Rosário ou do Sagrado Coração de Maria, poderão estar descansados que as suas escolas vão funcionar.


Mas o que eu não esperava ver era isto:


Explicando melhor (citando a agência Lusa):
(...) o deputado do PSD Duarte Pacheco declarou-se favorável à decisão, afirmando que o Governo "compreendeu que o país é maioritariamente católico" e que, em Fátima, com a visita do papa, o centenário das aparições e a canonização de dois pastorinhos, "é um acontecimento excecional". "E para acontecimentos excecionais, tomam-se medidas excecionais". Pelo CDS, o deputado Filipe Anacoreta Correia também concorda com a decisão, interpretando-a como o "reconhecimento da importância do papa Francisco, da Igreja Católica em Portugal e que esta visita mexe com milhares de pessoas que vão deslocar-se a Fátima". "Com esta decisão, o Governo teve a preocupação de se associar a uma circunstância de grande alegria para os portugueses", concluiu.
Nada de novo, dir-me-ão, pois isto é "a direita, e a direita é beata". Mas não me posso esquecer que estas mesmas organizações políticas eliminaram (e bem!) vários feriados religiosos, que beneficiavam toda a gente, e agora são a favor de uma beatice, que apenas favorece alguns (prejudicando, objetivamente, toda a sociedade).
Ora, no que me diz respeito, isto vale mil défices e privatizações. Vou, portanto, votar na Isabel Moreira e rezar ao poderoso Thor para que, nesse dia, chova e troveje e os rotweillers andem à solta. Os pastorinhos, certamente, protegerão os verdadeiros crentes.

Eugénio (27)


Mais uma poesia sobre a caca dos cães nos passeios

Saio
E fico fora de mim.


Augusto de Lima, in «O dipsomaníaco que abusava da Dimetilaminofenildimetilpirazolona» (1999).

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Ser português

Ser português é gritar que Schäuble, o "alemão inválido", não tem o direito de se imiscuir na vida e nas escolhas dos portugueses e, ao mesmo tempo, criticar os americanos por votarem em Trump ou atacar Marine Le Pen e os seus eleitores.

É dizer, com desprezo e com ar sério, que os assassinos das claques do (preencher com nome do clube rival) não representam os adeptos de futebol e que deviam ser todos sodomizados a frio por um gorila vesgo.

E é dizê-lo, cantando, a toda a gente.






 

Eugénio (26)


Cocó