quarta-feira, 18 de abril de 2018

Absolutamente merda

Eu sou do tempo em que o absoluto e o (im)provável pertenciam a mundos diferentes. Nesse tempo, julgo recordar-me, um indivíduo com o cadastro deste governador já teria sido mandado para casa.


Senti-me honrado

El Priofessor Marcielo se fué a Espanya y habló en las Cuertes Generales. Eis senão quando, alguns deputados independentistas da Catalunha sacaram dos seus cravos amarelos e começaram a cantar "Grândola Vila Morena". O Professor riu-se todo e começou a cantar com eles, esquecendo (?) que, na Catalunha, usam o cravo amarelo e cantam "Grândola Vila Morena" nas manifestações a favor da independência. É estranho que não saiba isso, já que é um profundo conhecedor de todos os assuntos e até da língua castelhana. Felizmente, a presidenta do parlamento pôs cara de má, mandou-o calar e deu por terminada a sessão.
Marcelo diz que só se lembra de lhe terem batido muitas palmas.

(Julián Rosas, El País)

sexta-feira, 13 de abril de 2018

A morte da cidade, segundo António Guerreiro

No Público de hoje (suplemento Ípsilon), um texto de António Guerreiro que temos que ler.


Se Veneza e Lisboa e o Porto e Barcelona se despovoam da mesma maneira e se tornam idênticas a um modelo único da cidade histórica, isso acontece porque aqueles que deveriam impedir que isso acontecesse nada fizeram. Ou então, tudo o que fizeram destinou-se a acelerar o processo. Vê-se a morte da cidade no despovoamento; vê-se a morte da cidade na museificação que a torna terra de ninguém para o turismo; vê-se a morte da cidade na sua perda de memória, que é uma crise na relação com o passado; vê-se a morte da cidade quando ela fica inteiramente voltada para a inércia patrimonial dos “bens culturais” (esvaziados de todo o significado histórico) e perdeu completamente de vista o sentido da palavra “habitar”; vê-se a morte da cidade quando ela se sujeitou à homogeneização e ficou conforme a um modelo global, que se repete em todas as cidades europeias (...). Antes de serem atingidas pelo mal que as está a matar, as cidades históricas foram poderosas máquinas de pensar. A monocultura da cidade global é um eclipse do pensamento. O direito à cidade reclamado por Lefebvre não era um capricho de historiador: respondia a uma necessidade social e aos fundamentos da cultura europeia.