Pedalar despreocupadamente em tardes frias, como a de hoje, permite escutar a genuína e sábia voz do povo. Eis dois exemplos, ouvidos de passagem em fugazes cruzamentos, que há pouco chamaram a minha atenção.
1. A jovem, de idade incerta (treze, quinze anos?), caminhava ao lado do senhor idoso, guiando-o pelo braço. Este gesto, os cuidados no caminhar, a voz suave com que falava com o seu, estou em crer, avô, contrastavam com a indumentária, (des)composta pelos habituais calções+t shirt justíssimos. Ao passar pelo par ouvi o que ela dizia: "... deve-lhe ter assentado mal. Eu também, quando a comida não me cai, fico com muitas dores de '
caveça'..."
2. Outro par, mais um contraste de gerações, este provavelmente de mãe e filho. Dizia o homem, em calções e carregado com as cadeiras de praia: "... mas o tempo aqui também se presta muito a estas mudanças, e daí veio o mito do Algarve..."
PS: não quero deixar também de dar o meu contributo, dizendo que Lille é uma cidade que nunca me agradou muito e, por isso, vamos lá cambada, é arrasar com eles!