Hoje, fiz uma coisa que nunca pensei vir a fazer com este demagogo do Iglesias: levantei-me e aplaudi-o longamente.
«Algunos son jefes de Estado porque son hijos, nietos y bisnietos de una
dinastía. Con todo el respeto, nosotros tenemos mucha más legitimidad
porque a nosotros nos vota la gente».
Tudo o que vem à rede é Linguado. Mas o Linguado foi pescado. O que se aproveita está no Perspetivas (www.arturalcosta.wordpress.com).
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Muros
Muros, valas, arame farpado, mares patrulhados por tropas ou polícias... São fronteiras vergonhosas, para impedir que pessoas pobres, desesperadas, as atravessem em busca de uma vida melhor. Há muitas. No Mediterrâneo, em volta de Ceuta ou Melilla, na fronteira do México com os Estados Unidos (sim, existe, e Clinton e Obama são responsáveis por uma boa parte).
Mas, nos dias que correm, parece que o único muro lamentável é o que Donald Trump disse que ia mandar construir.
Mas, nos dias que correm, parece que o único muro lamentável é o que Donald Trump disse que ia mandar construir.
terça-feira, 24 de maio de 2016
Cães de guarda
Aqui em Bilbau, o cachorro plantado pelo ex-marido da política ítalo-húngara Elena Anna Staller monta guarda, à porta de uma pinacoteca folclórica. É feito de flores - cravos e outras - e lembra-me o regime totalitário que se vai insidiosamente implantando no país que já foi dos porcos ciclistas e agora é das vacas voadoras.
De lá, chegam-me notícias de arrepiar, de tribunais que condenam pessoas por chamar traidores aos que acham que os traíram e de entidades reguladoras e comissões parlamentares que perseguem jornalistas porque falaram em público do que era preferível que não se falasse.
É, também, um país onde os cães se cobrem de cravos, mas cuja dentada transmite raiva. Cuidado, hoje parecem só morder aqui e ali, mas a matilha está a crescer e a cercar-nos!
quarta-feira, 11 de maio de 2016
A volta do milionário do Porto (2)
Folhetim a sério tem vários episódios. Aqui fica, portanto, o segundo capítulo d' O Mistério do Milionário do Porto (na versão espanhola El Misterio del Millonario Portugués, do diário La Voz de Galicia). A língua castelhana tem mais faca e alguidar.
Capítulo 2
«No entiendo por qué mi esposa me denunció», dice el millonario portugués.
El millonario portugués investigado por, supuestamente, intentar asesinar a su joven esposa y exmodelo de 26 años en un hotel de Vigo lo negó todo durante su declaración ante la jueza de violencia contra la mujer. Su interrogatorio duró cuatro horas en la uci del Hospital Álvaro Cunqueiro, donde el implicado está ingresado tras sufrir una insuficiencia cardíaca justo en el momento de la agresión.
Carlos Inácio Pinto, de 56 años, no admite ninguno de los hechos que se le imputan. Niega haber introducido la maza de cantero en la habitación de su hotel y asegura que no golpeó con esta herramienta a su esposa en la cabeza cuando ella estaba de espaldas y se aplicaba crema corporal ante la ducha. El detenido dice no saber nada de las ligaduras que aparecieron dentro de la habitación y niega que hubiese premeditado o planeado una agresión machista. Prácticamente vino a decir que se despertó en el suelo en medio de todo aquel fregado.
Los servicios sanitarios encontraron al hombre en el suelo de la habitación del hotel aquejado de una enfermedad coronaria y con la espalda llena de marcas. Aseguró a la jueza que no sabe cómo apareció en esa posición ni qué ocurrió en la habitación. Insistió en que él no tuvo nada que ver en la agresión a su mujer.
Al concluir el largo interrogatorio, la magistrada del juzgado de violencia sobre la mujer número 1 de Vigo consideró inverosímil la versión del portugués y ordenó su ingreso en prisión, aunque hasta el momento no se ha hecho efectiva esa medida porque el hombre debe seguir hospitalizado.
La tesis judicial es que el millonario se comporta con la conducta típica del maltratador de manual, delincuente que se caracteriza por no admitir su culpa y negarlo todo. Respecto al móvil del intento de asesinato, el juzgado no ve necesario ningún motivo por muy rocambolesca que sea la agresión. En el fondo, el maltratador solo desea mostrar violentamente su poder sobre su pareja.
La esposa aseguró que su matrimonio era feliz e idílico y negó episodios machistas en sus siete años de noviazgo y seis meses de nupcias. No se puede creer lo ocurrido. Según Correio da Manha, E.G.P., regresó a su casa en Vilanova de Gaia con una amiga, recogió ropa y se marchó. Cerró su perfil en Facebook.
domingo, 1 de maio de 2016
Truman
Ontem fui ao cinema, coisa rara, ver Truman, realizado pelo espanhol Cesc Gay. Ponham de lado a impressão de que aquilo é um dramalhão argentino e vão ver, assim que puderem.
Claro que aquela impressão se justifica, pois o filme é apresentado assim:
«Diagnosticado com cancro em estágio muito avançado, Julián sabe que está próximo do fim. De forma a aproveitar o tempo que lhe resta, decide abandonar os tratamentos para viver cada dia e tratar de vários assuntos pendentes. Para ele é importante distribuir a sua herança, organizar o funeral e, acima de qualquer outra coisa, encontrar um lar apropriado para Truman, o seu cão. Quando recebe a visita inesperada de Tomás, um velho amigo há anos radicado no Canadá, percebe que ele é a pessoa certa para o acompanhar neste momento tão complexo. Juntos, os dois farão um percurso extraordinário pelas ruas de Madrid (Espanha), relembrando o passado, visitando lugares que os marcaram ou, simplesmente, saboreando a amizade que os manteve unidos durante todos estes anos. Porém, este reencontro tem o seu lado perverso pois, quanto mais próximos se sentem um do outro, mais difícil se torna o inevitável adeus…»
Mas, acreditem, é tudo menos lamechas, e quando está à beira do precipício equilibra-se, sempre de forma inteligente. Ah! E Troilo, o ator que faz de Truman, é notável na sua contenção dramática. Num filme de Hollywood, o cão seria o elo mais fraco, para puxar à lágrima e agradar aos críticos de cinema, mas Truman/Troilo (infelizmente, já falecido) acaba por ser a referência, aquela linha que nunca é ultrapassada, sem qualquer concessão ao cabotinismo.
É pena a lamentável tradução, que acha que «oso» (urso)é «osso» e que «viernes» é «quinta-feira». Entre outras calinadas, imagino, mas a partir destas duas eu tentei não ler mais as legendas.
Claro que aquela impressão se justifica, pois o filme é apresentado assim:
«Diagnosticado com cancro em estágio muito avançado, Julián sabe que está próximo do fim. De forma a aproveitar o tempo que lhe resta, decide abandonar os tratamentos para viver cada dia e tratar de vários assuntos pendentes. Para ele é importante distribuir a sua herança, organizar o funeral e, acima de qualquer outra coisa, encontrar um lar apropriado para Truman, o seu cão. Quando recebe a visita inesperada de Tomás, um velho amigo há anos radicado no Canadá, percebe que ele é a pessoa certa para o acompanhar neste momento tão complexo. Juntos, os dois farão um percurso extraordinário pelas ruas de Madrid (Espanha), relembrando o passado, visitando lugares que os marcaram ou, simplesmente, saboreando a amizade que os manteve unidos durante todos estes anos. Porém, este reencontro tem o seu lado perverso pois, quanto mais próximos se sentem um do outro, mais difícil se torna o inevitável adeus…»
Mas, acreditem, é tudo menos lamechas, e quando está à beira do precipício equilibra-se, sempre de forma inteligente. Ah! E Troilo, o ator que faz de Truman, é notável na sua contenção dramática. Num filme de Hollywood, o cão seria o elo mais fraco, para puxar à lágrima e agradar aos críticos de cinema, mas Truman/Troilo (infelizmente, já falecido) acaba por ser a referência, aquela linha que nunca é ultrapassada, sem qualquer concessão ao cabotinismo.
É pena a lamentável tradução, que acha que «oso» (urso)é «osso» e que «viernes» é «quinta-feira». Entre outras calinadas, imagino, mas a partir destas duas eu tentei não ler mais as legendas.
quarta-feira, 16 de março de 2016
Os filhos da puta
Leio, e custa-me acreditar: antes do jogo da Liga dos Campeões da passada terça-feira, adeptos do PSV Eidhoven, da Holanda, que estavam numa esplanada no centro de Madrid, resolveram atirar moedas a um grupo de mendigas, divertindo-se depois com o desenrolar da cena.
Vejo, e custa-me ainda mais acreditar:
Isto é o futebol, isto é a Europa?
Espero uma atitude decente das autoridades. Não é prender estes filhos da puta, mas sim extinguir, ou suspender por cinquenta anos de todas e quaisquer competições, o clube que apoiam.
Porque vai demorar, no mínimo, cinquenta anos a esquecer isto.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Voar
Nesta semana em que ainda se fala do piloto alemão que voou, com os seus passageiros, para a morte, quis o acaso que me cruzasse com duas obras-primas que também voam.
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A primeira é a soberba banda desenhada de Antonio Altarriba e Kim, "A arte de voar", recém-editada na coleção Novela Gráfica, da LEVOIR/Público.
Não há palavras para falar deste livro, muitas vezes comparado a Maus (de Art Spiegelman), mas apenas porque se trata de "memórias transgeracionais" - um filho que conta a história do seu pai, que passou horrores (em Maus é a perseguição aos judeus pelos nazis, aqui é a Guerra de Espanha e o regime fascista que se seguiu).
Ou melhor, há palavras, as do próprio argumentista, Altarriba, nas primeiras páginas da história: "... na verdade, vou contar a vida do meu pai pelos seus olhos, mas desde a minha perspetiva. Posso, por isso, assegurar que foi assim que se suicidou. Posso igualmente assegurar que, ainda que parecessem apenas segundos, o meu pai demorou noventa anos a cair do quarto andar".
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O segundo é um filme, que em Portugal se chama "As asas do vento", uma longa metragem de animação assinada pelo Mestre Hayao Miyazaki - diz ele que será o último, mas todos esperamos que não. É belíssimo, como podia esperar-se deste autor - basta lembrar A Princesa Mononoke, A viagem de Chihiro e O castelo andante.
Embora a história deste jovem que sonhava com aviões seja fácil de contar, também aqui faltam as palavras para falar da obra, que, mostrando-nos o céu, tem aquela leveza das emoções profundas.
Mas talvez haja palavras, afinal. As de Paul Valéry, que abrem o filme e acabam por fechá-lo também: "Le vent se lève! ... Il faut tenter de vivre!"
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A primeira é a soberba banda desenhada de Antonio Altarriba e Kim, "A arte de voar", recém-editada na coleção Novela Gráfica, da LEVOIR/Público.
Não há palavras para falar deste livro, muitas vezes comparado a Maus (de Art Spiegelman), mas apenas porque se trata de "memórias transgeracionais" - um filho que conta a história do seu pai, que passou horrores (em Maus é a perseguição aos judeus pelos nazis, aqui é a Guerra de Espanha e o regime fascista que se seguiu).
Ou melhor, há palavras, as do próprio argumentista, Altarriba, nas primeiras páginas da história: "... na verdade, vou contar a vida do meu pai pelos seus olhos, mas desde a minha perspetiva. Posso, por isso, assegurar que foi assim que se suicidou. Posso igualmente assegurar que, ainda que parecessem apenas segundos, o meu pai demorou noventa anos a cair do quarto andar".
O segundo é um filme, que em Portugal se chama "As asas do vento", uma longa metragem de animação assinada pelo Mestre Hayao Miyazaki - diz ele que será o último, mas todos esperamos que não. É belíssimo, como podia esperar-se deste autor - basta lembrar A Princesa Mononoke, A viagem de Chihiro e O castelo andante.
Embora a história deste jovem que sonhava com aviões seja fácil de contar, também aqui faltam as palavras para falar da obra, que, mostrando-nos o céu, tem aquela leveza das emoções profundas.
Mas talvez haja palavras, afinal. As de Paul Valéry, que abrem o filme e acabam por fechá-lo também: "Le vent se lève! ... Il faut tenter de vivre!"
terça-feira, 3 de março de 2015
Aran
No final do longo e árduo caminho nevado, o Mosteiro de Montgarri esperava por nós. Há muitos anos que está ali, à espera.
Chegámos cansados e partimos satisfeitos. O único vestígio que deixámos foram os despojos de uma Olla Aranesa, uma bomba calórica com morcela, toucinho e um bom naco de terrina de fígado de porco com ervas. Foi o que nos serviram no acolhedor abrigo de montanha, e não podia ter sabido melhor.
Chegámos cansados e partimos satisfeitos. O único vestígio que deixámos foram os despojos de uma Olla Aranesa, uma bomba calórica com morcela, toucinho e um bom naco de terrina de fígado de porco com ervas. Foi o que nos serviram no acolhedor abrigo de montanha, e não podia ter sabido melhor.
O mundo ao contrário
A Europa de hoje já não permite escapar à chamada "atualidade". Mesmo numa qualquer recôndita aldeia perdida nos Pirenéus, chegam-nos ecos do que se passa em qualquer parte do mundo. Gostava de esquecer Portugal, pelo menos por uns dias, mas acabo por ser surpreendido pelas notícias. E, pelo que leio, anda tudo ao contrário!
Há um novo eixo de poder na Europa, conquistando influência ao tradicional franco-alemão. Portugal e Espanha tramaram a Grécia e até já dão cartas, juntos, na descoberta de novos mundos para o mundo. Segundo rezam os jornais, uma equipa de cientistas portugueses e espanhóis desvendou o mistério da onda de Vénus em forma de Y. A coragem de sair da zona de conforto e as Letras andam, novamente, de mãos dadas. Depois de Camões, chega David Mourão-Ferreira.
Os portugueses milionários perderam muiiiiiiiiito dinheiro, diz-nos a Forbes. Não sei quem é, mas a nossa imprensa preza muito a Forbes. E ficamos, portanto, a saber que não foram apenas a classe média ou os pobres a desgraçar-se nos últimos anos, o que contraria o senso comum. Ressalvando, naturalmente, que tudo é relativo: as cócegas de uns não são a dor de outros.
Vejo também que o primeiro-ministro não pagou a sua contribuição para a segurança social durante alguns anos porque não sabia que tinha de pagar (explicou ele, inocente). E que o "sistema" se esqueceu de o cobrar, como esqueceu, parece, em milhares de casos. Ora, não só Passos ainda é primeiro-ministro, como o responsável do serviço público que, por incompetência, nos sonegou alguns milhares de euros, vem armar-se em moralista e acusá-lo.
É o que eu digo: anda tudo ao contrário. Pelo menos, em Portugal, porque aqui da minha janela vejo coisas que não mudam...
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