Ontem estive a ver, de forma intermitente e incompleta, um filme chamado "Irão no feminino" (de 2009, dirigido por Shirin Neshat e Shoja Azari). Reza assim a "sinopse" oficial:
Baseada no livro do mesmo nome [de Shahrnoush Parsipour], a história mostra-nos as vidas interligadas de quatro mulheres iranianas, no verão de 1953, quando o governo, democraticamente eleito, de Mohammad Mossadegh foi derrubado e reinstituído o poder do Xá. À medida que o tumulto se apodera das ruas de Teerão, cada uma delas procura libertar-se das suas amarras, mas a trágica viragem na História do seu país acaba por se sobrepor às suas demandas.Para além de tudo o que tem - e é muito -, este filme tem uma cidade viva, com mulheres de cara destapada, comunistas a falar nas ruas e cafés cheios de gente a discutir Arte e Liberdade. Em voz alta. Em 1953 (e por mais alguns anos), as pessoas eram livres, no Irão, até o Reza Pahlavi perder a cabeça e abrir caminho aos criminosos aiatolas.
Eu não consigo separar os Hamas, as Irmandades Muçulmanas, os Talibãs ou os Boko Harams de qualquer pseudo-regime democrático com um Estado religioso. Para mim, bronco como sou, ter uns facínoras a governar os homens com as leis de qualquer deus, que não foi eleito pelo povo, é sempre crime, e Rohani do Irão ou Morsi do Egito são cobras do mesmo saco, o saco onde cabem também aqueles grupos terroristas. No caso, são muçulmanos, mas em teoria podiam ser de outra crendice qualquer. Mas só em teoria, porque na prática não vejo casos comparáveis.
É por isso que eu acho que os indefesos palestinianos, as crianças, as mulheres, os carpideiros que se acumulam na Faixa de Gaza, devem fazer o favor de sair dali e ir até ao Egito, país acolhedor mesmo ao lado, enquanto os israelitas vão tentar destruir o ninho de ratos. Depois, talvez possam voltar, e talvez um dia possam ver como em 1953 se respirava melhor no Irão.
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(Agora fico à espera que me venham cortar a cabeça, dizendo que a ira divina não perdoa os cães infiéis).
(Agora fico à espera que me venham cortar a cabeça, dizendo que a ira divina não perdoa os cães infiéis).
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