quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Tapem-se, que os profetas estão de volta!

Há quase um ano, em dezembro de 2011, o Linguado publicava uma posta sobre os economistas profetas ó pa trás que nós temos.
É surpreendente a sua atualidade, que demonstra que nada mudou na nossa monótona vida pública.


Já então, João Ferreira do Amaral se mostrava, brilhando aos holofotes da fama. O que, dado a inegável qualidade e rigor técnico das suas opiniões, se compreende.
Desta vez assina, com uns colegas, mais uma dessas cartas-manifesto contra a privatização da TAP e da ANA, em que, com a autoridade que a ciência económica lhes dá, "acreditam" que, no futuro, as duas empresas “poderão tornar-se francamente rentáveis”.
Daniel Rocha/ Público
Há que ouvir estas vozes avisadas. Eu também acredito que o Pai Natal existe, desde que ele me dê prendinhas, o que certamente a teta da TAP, da ANA e de outras empresas públicas dará a muitos dos notáveis economistas-profetas que assinam este manifesto (entre os quais não tive o prazer de encontrar o Dr. Mário Soares, que, não sendo economista, fica sempre bem nestas coisas).

Não acredito é em monopólios, públicos ou privados. Mas isso parece nunca ter incomodado os senhores economistas. É que se não houvesse monopólios destes não tínhamos agora nenhum problema em vender o que quer que fosse. Mas compreendo que "monopólio" seja conceito que lhes é estranho, e chamo a atenção para os senhores que mandam nas universidades: há que falar nisto nos cursos de economia em Portugal!

Também não acredito em pobres e pensionistas a pagar impostos para, ano após ano, sustentar a "crença" destes privilegiados lisboetas, que adoram a sua viagenzinha aérea. Ou para sustentar a "pança" dos trabalhadores, gestores, conselheiros e consultores destas companhias que orgulham e enriquecem alguns, mas doem muito a outros.

Muito menos acredito que a felicidade, a prosperidade e a independência de um povo dependam de uns aeroportos e de uns aviões. Até porque, como têm dito muitos economistas que subscrevem este manifesto, temos dinheiro para dois aeroportos e quatro ou cinco TGV. Se for preciso, lançamos mais umas obras e voltamos a ter aeroportos estratégicos (em Lisboa).

Até posso fazer um esforço e acreditar que estas empresas (como a RTP, a CP, etc.) estejam mesmo à bica para ser rentáveis e nos trazer grande felicidade. Mas há uma nuvem negra no horizonte, que é o fim do mundo de amanhã, seja na versão Maya das mamas grandes, na versão Maias ou na versão economista Amaral.

Nunca saberemos!




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