É surpreendente a sua atualidade, que demonstra que nada mudou na nossa monótona vida pública.
Já então, João Ferreira do Amaral se mostrava, brilhando aos holofotes da fama. O que, dado a inegável qualidade e rigor técnico das suas opiniões, se compreende.
Desta vez assina, com uns colegas, mais uma dessas cartas-manifesto contra a privatização da TAP e da ANA, em que, com a autoridade que a ciência económica lhes dá, "acreditam" que, no futuro, as duas empresas “poderão tornar-se francamente rentáveis”.
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| Daniel Rocha/ Público |
Não acredito é em monopólios, públicos ou privados. Mas isso parece nunca ter incomodado os senhores economistas. É que se não houvesse monopólios destes não tínhamos agora nenhum problema em vender o que quer que fosse. Mas compreendo que "monopólio" seja conceito que lhes é estranho, e chamo a atenção para os senhores que mandam nas universidades: há que falar nisto nos cursos de economia em Portugal!
Também não acredito em pobres e pensionistas a pagar impostos para, ano após ano, sustentar a "crença" destes privilegiados lisboetas, que adoram a sua viagenzinha aérea. Ou para sustentar a "pança" dos trabalhadores, gestores, conselheiros e consultores destas companhias que orgulham e enriquecem alguns, mas doem muito a outros.
Muito menos acredito que a felicidade, a prosperidade e a independência de um povo dependam de uns aeroportos e de uns aviões. Até porque, como têm dito muitos economistas que subscrevem este manifesto, temos dinheiro para dois aeroportos e quatro ou cinco TGV. Se for preciso, lançamos mais umas obras e voltamos a ter aeroportos estratégicos (em Lisboa).
Até posso fazer um esforço e acreditar que estas empresas (como a RTP, a CP, etc.) estejam mesmo à bica para ser rentáveis e nos trazer grande felicidade. Mas há uma nuvem negra no horizonte, que é o fim do mundo de amanhã, seja na versão Maya das mamas grandes, na versão Maias ou na versão economista Amaral.
Nunca saberemos!

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