segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Hortas e costa

1. É um lugar comum dizer-se que Portugal chegou à triste situação atual porque abandonou os verdadeiros setores produtivos. Que setores? Numa visão mais romântica, fala-se do campo e do mar. Numa visão mais tecnocrática, das pescas, da aquicultura, do hipermegacluster do mar, das energias renováveis, da floresta e da agricultura, todas essas atividades que são as chaves da competitividade e da sustentabilidade.

2. Mas a coisa não é assim tão linear. Numa visão mais radical, não se diz que abandonou, mas que "vendeu", a troco de dinheiro para betão e boa vida. Numa visão radical de esquerda, este "vendeu" tem um nome (Cavaco); na visão radical de direita tem outro (Soares). Na visão radical anarco-indignada é mais impessoal, falando-se da classe política em geral. Numa visão aparvalhada, não se compreende bem que Cavaco, Soares e a classe política em geral tenham a lata de aparecer hoje como os arautos do retorno a estes setores produtivos, assobiando para o lado.

3. Pois bem, ao ler as notícias de hoje, o Linguado está em condições de propor uma visão de síntese.
O consultor Miguel Nuno Oliveira Horta e Costa passou parte do dia num tribunal, como testemunha, a responder a questões sobre o caso das contrapartidas na compra dos famosos submarinos.
MNOHC trabalhava para uma empresa chamada ESCOM, que já foi do Grupo Espírito Santo e era administrada pelo senhor Luís Horta e Costa, que foi arguido (absolvido) no caso Portucale, outra empresa do Grupo Espírito Santo, que não sei se mete submarinos ou só sobreiros, vargens e lezírias.
Ao mesmo tempo, ainda hoje, noutro tribunal, Carlos Horta e Costa, antigo presidente dos CTT, começava a ser julgado por crimes de gestão danosa e de participação económica num negócio de venda de uns edifícios dos Correios que acabaram a bom preço nas mãos de uma empresa chamada ESAF, e escusamos de dizer o que significa "ES".

4. Tudo está ligado.
Sobreiros e submarinos.
Agricultura e pesca.
Campo e mar.
Horta e costa.

5. Só não entendo a carga religiosa da coisa. Não sei se por ali andam pais e filhos, mas acho que não. Já o Espírito Santo, é omnipresente.



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