"Call me Shang-Chi, as my father did when he raised me and molded my mind and my body in the vacuum of his Honan, China retreat. I learned many things from my father: That my name means 'The Rising and Advancing of a Spirit', that my body could be forged into a living weapon through the discipline of kung fu, and that it might be used for the murder of a man called Dr. Petrie.
Since then I have learned that my father is Dr. Fu Manchu, the most insidiously evil man on earth...and that to honor him would bring nothing but dishonor to the spirit of my name."
– Shang-Chi, Master of Kung Fu.
1. Introito
Para não perder o balanço da posta de domingo, em que, de passagem, falava das minhas produções favoritas no universo da Marvel Comics (Warlock, Deathlok, Conan e Master of Kung Fu), fica já aqui a referência a uma dessas obras: Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu.
Convém fazer este aviso: para alguém estar confortável e gostar dos comics de super-heróis americanos (e quem diz super-heróis diz outras linhas das mesmas casas editoras - Marvel, DC, Dark Horse, Image, ...) deve aceitar alguns códigos que são estranhos à corrente dominante na Europa (a franco-belga, ou mesmo a italiana).
Primeiro, a questão dos "autores". Nos comics norteamericano conta a personagem, propriedade, normalmente, de uma editora. Há autores mais ou menos individualistas, há mesmo alguns que são superestrelas, com obra pessoal, mas na "indústria" de super-heróis esse não é o modelo.
Na Europa há alguns exemplos disso, principalmente nos fumetti italianos (Tex Tyler, Dylan Dog, etc.) ou no atual negócio de exploração intensiva de alguns clássicos (caso da continuação de Blake & Mortimer), mas domina a criação "de autor". Astérix vende milhões, mas é obra de Goscinny e Uderzo. Tintin, por muita produção em estúdio que tivesse, tem a marca de Hergé. E mesmo que Corto Maltese seja retomado por outros autores, a marca de Hugo Pratt nunca vai desaparecer.
Segundo, vá lá, a gente tem de aceitar que as histórias de super-heróis, no fundo, são cenas um pouco estranhas, em que homens normalmente musculosos e mulheres normalmente peitudas voam, lutam, fazem ka-bouuuummmm... vestidinhos com collants coloridos e de máscara...
2. Shang-Chi
Dito isto, temos que (1) a personagem de Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu, embora tenha sido criada em 1973 por Steve Englehart e Jim Starlin, é uma propriedade da editora Marvel e até nem foi do labor destes dois (grandes) artistas que nasceram as obras que me maravilharam na juventude, e maravilham ainda hoje; e (2) o herói é um moço introvertido que anda quase sempre de quimono, ou pijama...
Contam os próprios autores que Shang-Chi apareceu porque parecia (e foi!) um bom negócio: vivia-se a época dourada dos filmes de Bruce Lee (que, aliás, tinha acabado de morrer) e na TV fazia furor a série Kung Fu, com David Carradine (O Sinal do Dragão, entre nós), pelo que o público juvenil (e até o mais adulto) estava recetivo. Além disso, a Marvel tinha adquirido os direitos para adaptar aos comics as histórias do Dr. Fu Manchu, o grande vilão criado por Sax Rohmer. Fu Manchu, é bom dizê-lo, viria a revelar-se ser o pai de Shang-Chi. Anos antes de Star Wars fazer a mesma brincadeira com Darth Vader e Luke Skywalker...
A série interminável de histórias de Shang-Chi forma a habitual montanha russa de qualidade, que depende sobretudo dos autores (e quem diz montanha russa diz roleta russa: às vezes é tudo tão mau que parece um suicídio comercial e a publicação é interrompida durante alguns anos; é o público a selecionar, ...). Há nas dezenas de histórias do MoKF publicadas pela Marvel coisas absolutamente abjetas e outras geniais, nos píncaros da arte sequencial. Tanto nos desenhos como nos textos/argumentos, que por vezes são de grande sensibilidade e outras não passam de concentrados artificiais de filosofia oriental de pacotilha.
Na verdade, as grandes duplas de autores foram os criadores iniciais (Englehart e Starlin - deste falarei aqui em breve sobre a sua obra-prima, Warlock) e, sobretudo, Doug Moench e Paul Gulacy.
![]() |
| MoKF nº 39, página 23 |
[E não me voltem a perguntar porque adoro a língua portuguesa na língua dos brasileiros, escrita, falada, cantada...].
3. A melhor história do MoKF e uma das melhores BD que eu já li!
A dupla Moench&Gulacy, aqui ajudados na arte-final por Dan Adkins e Jim Steranko (este outro desenhador genial, que na edição original não foi devidamente creditado porque apenas trabalhou na prancha 14), na cor por Petra Goldberg, na rotulação por Annette Kawecki e na capa por Gil Kane, assina esta obra-prima.
Palavras para quê?
![]() |
NOTA: Esta e outras histórias de Paul Gulacy, Doug Moench, Shang-Chi ou qualquer outra da Idade de Ouro que foram os anos 1970s dos comic books podem ser lidos e comentados no blogue
http://diversionsofthegroovykind.blogspot.pt/.






















Sem comentários:
Enviar um comentário
Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!