terça-feira, 24 de julho de 2018

Ora Eça...

Se um extraterrestre, ou simplesmente uma pessoa distraída, lesse/ouvisse a quantidade de colunistas e "socialites" que se indignaram nos últimos dias, pensaria que o (excelente) romance Os Maias, e quiçá o próprio autor, Eça de Queiroz, acaba de ser proibido nas nossas escolas. Mas não foi, Eça mantém-se nos programas educativos e apenas passou a ser dada faculdade aos professores /escolas /alunos de escolherem a obra (ou obras) deste escritor que vão ser objeto de estudo, em vez de estarem condicionados a Os Maias (já disse que é excelente?) ou A Ilustre Casa de Ramires (que é, quanto a mim, um livro bastante mau).

Sublinho o quanto a mim.


O facto de haver livros "obrigatórios" é-me tão desagradável como haver livros "proibidos".
"Obrigar" os jovens do Douro (e portugueses em geral) a aprender a amar a língua portuguesa com o estudo de um livro (aliás, excelente) sobre a decadente Lisboa, quando têm, ali à mão, A Cidade e as Serras (igualmente soberbo e mais universalista), parece-me um autoritarismo inaceitável.
Haver tanta gente que, nesta época de fake news, continua a emprenhar pelos ouvidos, é mesmo preocupante.

Não é?

Sem comentários:

Enviar um comentário

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!