quarta-feira, 13 de junho de 2018

Mais um coiso

Nas páginas do Público de hoje, o geógrafo Álvaro Domingues indigna-se com a construção de um edifício ali mesmo na crista da escarpa junto à Ponte da Arrábida. Passo, de vez em quando, cá em baixo, junto ao rio, e também já tinha reparado (e fotografado) naquele coiso impressionante.
Domingues indigna-se, sobretudo, com a opacidade deste tipo de processos e com as misteriosas falhas que se vão descobrindo aqui ou ali. Neste Portugal de organismos de tutela, de intelectuais do urbanismo e de arquitetos premiados, a complexidade ridícula dos textos legais e dos procedimentos administrativos levou-nos, de novo, aos tempos gloriosos em que não havia regras. Agora há, e muitas, mas o resultado é o mesmo. Como e porquê, haverá sempre um especialista, um político, um juiz ou um investidor que nos pode explicar - mas apenas se perguntarmos insistentemente.
Mesmo não sendo muito dado a ler os textos de Álvaro Domingues, com o seu estilo de esteticista de bairro, isso não me impede de lhe dar, quase sempre, razão. E, caso não tenha ficado claro o que ele queria dizer neste artigo de hoje, pergunto também: como é possível que aquela merda nasça ali?
  
Foto: AC

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