quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Histórias de amor sem final feliz (1): Jorge & Sofia

Jorge & Sofia



Jorge, quarentão tímido, apaixonou-se por Sofia, uma jovem colega de trabalho. Nas suas fantasias, Sofia retribuía-lhe a paixão. Mas Jorge não sabia, e receava procurar saber, se ela tinha realmente algum sentimento por ele.

Almoçavam quase sempre juntos, com um grupo de colegas. Naquele dia foram os dois um pouco mais cedo e a conversa tornou-se íntima. Jorge sentiu até que tinha pintado um certo clima. Sofia confessou, em voz baixa, que “há alguém no escritório de quem gosto muito, mas ele não me dá atenção.” Para Jorge, isto bastou, deu-lhe asas. Exultou interiormente “sou eu, sou eu!” Mas chegaram os companheiros diários e a conversa interrompeu-se.

Jorge passou o almoço nas nuvens, pensando apenas nas palavras de Sofia. Ao final da tarde fez tudo para sair do escritório ao mesmo tempo que ela, como se fosse por acaso. Balbuciou monossílabos. Sofia não quereria ir jantar com ele, pegar um cineminha, aproveitar aquela noite de verão? Ela aceitou, não tinha planos para essa noite. Uau!”, exclamou Jorge, em pensamento.

Foi uma noite de glória. Não só porque o jantar estava bom (embora, se lhe perguntassem, Jorge mal soubesse dizer o que comeu) e porque o filme foi uma boa surpresa (embora Jorge apenas visse umas luzes e ouvisse uns ruídos, tão atento estava à respiração de Sofia), mas também porque Sofia aceitou subir ao apartamento de Jorge e dormir com ele. E, sobretudo, porque Jorge sentiu que, naquela maratona de sexo, esteve à altura do vigor e da criatividade de Sofia.

Acordaram, na manhã seguinte, quase em simultâneo. Sorriram, aconchegados. Jorge disse que “me fizeste o homem mais feliz do mundo” e Sofia respondeu “és tão meigo, tão acolhedor… dá vontade de te contar toda a minha vida, de partilhar os meus segredos.” E Jorge, meloso, “terás sempre lugar ao meu lado e serei o teu confidente de todos os dias.”

Sofia, meio sem jeito, falou baixinho “sabes, aquele homem de quem eu gosto? É o Ramos, da tesouraria…”


Sem comentários:

Enviar um comentário

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!