sexta-feira, 7 de julho de 2017

Piadas de caserna


Ontem, uma comissão parlamentar reuniu para ouvir um general.
É situação de potencial humorístico imenso, que podia ser explorada pelos nossos artistas do riso - se não andassem todos ocupados a xingar o Trump e a fazer trocadilhos com o peido do Salvador Sobral.
A coisa começa pelos figurantes (vários deputados! um general! ah! ah!), passa pelo tema (vejam lá que houve material militar que foi roubado num quartel! como se fosse a primeira vez e como se a irresponsabilidade e a corrupção não fossem o dia a dia das nossas «instituições») e termina neste detalhe grotesco, que leio no Diário de Notícias:
«De acordo com fontes parlamentares - ouvidas sob anonimato por não estarem autorizadas a falar sobre a audiência de ontem ao chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) na comissão de Defesa, que decorreu à porta fechada (...)».
Ora, se não estão autorizadas a falar, porque o fazem? E, se falam, porque usam o anonimato cobarde? Suponho que os jornalistas dirão que não podem desmascarar as suas fontes - que, obviamente, deviam já estar sentadas num tribunal -, mas, sendo assim, só restaria uma solução digna de um Estado decente: expulsar de qualquer função pública todos os que estavam naquela sala. Note-se que outros jornais referem que «Segundo vários deputados presentes na reunião...», o que mostra bem o nível a que chegou a farsa.
Sufocamos de riso com esta «República», e o facto de o tal general se dizer «humilhado», mas preferir exonerar os subalternos, não ajuda nada .

 

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