quinta-feira, 9 de março de 2017

Uma expressão lapidar

O jornal Público, que está sempre na moda, fez uma entrevista ao governador do Banco de Portugal.


Uma parte dessa entrevista é apresentada sob este título:

Qualquer um de nós recusa os gastos desmedidos, especialmente se foram públicos, mas acontece que a frase, tal como é transcrita, é a seguinte:
"(...) ter instituições capazes de fazer uma auto-avaliação é desejável, o BdP será sempre a favor disso, mas é preciso que as pessoas também saibam enquadrar esse exercício num exercício cívico que não seja meramente... de delapidação pública".
A "delapidação pública" é um conceito interessante, que podia perfeitamente estar na boca do distinto governador do Banco de Portugal, pois congrega
  • o que alguns políticos de esquerda, o governo e a imprensa estão a fazer (merecidamente) a Carlos Costa, que é uma espécie de lapidação (apedrejamento) pública,
com
  • a sua atitude descontraída perante a delapidação (esbanjamento) do património e da riqueza dos portugueses, a que todos temos assistido e que é pública e notória (exceto para a casta a que Carlos Costa pertence).
Mas, na realidade, "delapidação pública" parece-me ser mais um "neologismo" criado pelos redatores do Público. Escutando com alguma atenção, parece-me que não foi exatamente aquilo o que Carlos Costa disse (de-de-de-lapidação pública), mas o que lhes pareceu a eles, dada a relação aproximativa que este jornal mantém com a Língua Portuguesa. A ser assim, a expressão não é menos lapidar.

2 comentários:

  1. Oportuníssimo, este soletrar marcado, sobretudo para os aprendizes de jornalistas e para os leitores apressados, habituados à vertigem do feicebuque...

    ResponderEliminar

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!