sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Quem paga a conta?


Voltando à questão dos SMS de Centeno, Domingues, Costa, Marcelo, Marques Mendes e Lobo Xavier. Afinal, que telemóvel usou o ministro?
Se foi o seu telemóvel pessoal, do qual paga a conta do seu bolso, posso dar alguma razão ao PS: os SMS não passam de conversas privadas, e fiquemos pela constatação de que o ministro, e o seu chefe, são apenas mentirosos (ou vítimas de erros de perceção mútua). Já o sabíamos, e parece que muitos portugueses não se preocupam com isso.
Se o telemóvel é do Estado, ou quem paga a conta são os contribuintes, a história é outra. O detentor do cargo público em causa pode usá-lo para conversas privadas? Se não é suposto fazê-lo, não há ali uma infração? E se, por acaso, o funcionário estiver autorizado a fazer uso pessoal do telemóvel, isso não é uma remuneração que, eventualmente, estará a ser escondida às Finanças? Mesmo que entre na categoria de despesas de representação, isso não se aplica apenas a gastos que tenham relação com a atividade ministerial?
Dir-me-ão, com a habitual tolerância pela pequena vigarice, que toda a gente faz estas coisas. Talvez, mas convinha que o Tribunal de Contas se pronunciasse. Ou o Ministério Público. Não dizem que Al Capone, depois de anos e anos a roubar, traficar e matar, apenas foi preso porque se enganou numas declarações fiscais?
Quanto aos SMS, não se preocupem com isso. O Correio da Manhã, o Público e o Seringador hão de acabar por divulgá-los a todos.

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