segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Porta para o exterior: adonde fica o Galego?

Na Galiza, a parte mais a norte do nosso país e o território onde nasceu a nossa língua, vivem quase três milhões de pessoas. Calhou-lhes em sorte estarem integrados no Estado espanhol, onde a opressão (primeiro, da monarquia castelhana e, depois, fascista), o isolamento e abandono cultural e o passar do tempo se foram encarregando de matar a língua-mãe. No Portugal das políticas oficiais, sempre tão virado de costas para a civilização (a Europa) e tão centrado no seu umbigo colonialista, clama-se pela "lusofonia", esquecendo que a língua portuguesa de hoje tem todas as variantes e mais uma, que está cá dentro. Pedir mais coragem aos nossos dirigentes, de ontem e de hoje, para confrontar o domínio de facto castelhano sobre a Península Ibérica sempre foi tarefa vã. Querer uma maior integração política - uma Espanha federal, com galegos, portugueses, castelhanos, bascos, catalães, asturianos, leoneses e os outros todos, com a sua diversidade de línguas e culturas - é tido como traição. E sugerir que uma política de promoção da língua, da literatura e do audiovisual portugueses na Galiza talvez fosse mais importante do que ir às compras a uma feira de "arte contemporânea" em Madrid seria certamente ridicularizado pela cultíssima imprensa lisboeta e por um qualquer ministro dos assuntos exteriores.
Mas, na Galiza, há quem queira que as coisas sejam diferentes, e que, na Europa e no mundo, a nossa língua seja mais forte. Porta para o exterior, um documentário de J. Ramom Pichel e Sabela Fernández, foi lançado no dia 21 de fevereiro, o dia Internacional da Língua Materna, para dar a conhecer, sem intermediários, quais as razões das pessoas afirmarem que galego e português são variedades do mesmo idioma. Vale a pena ver.

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