sábado, 4 de fevereiro de 2017

E se falássemos de Brísida Vaz?

Anda por aí grande agitação porque um dos livros indicados nos Programas escolares do 3.° ciclo do EB e do ensino secundário tinha umas palavras feias. Uma associação de mães beatas de uma escola qualquer selecionou duas ou três frases e toca a clamar por escândalo. Nos tempos que correm, de distensão nacional e, simultaneamente, de censura, o ministério da educação lisboeta lá tirou o livro do Programa dos mais pequenitos (à volta dos 13 tenros aninhos). Ora bem, estou de acordo. E, alinhando com as associações de professores de Português, tenho mais achas para a fogueira. Isto, por exemplo, será coisa que se mostre, nas escolas, aos meninos, meninas e infantes de outros géneros?

Peço-vo-lo de giolhos! Cuidais que trago piolhos, anjo de Deos, minha rosa? Eu sô aquela preciosa que dava as moças a molhos, a que criava as meninas pera os cónegos da Sé...  

(Gil Vicente: Auto da Barca do Inferno. Ainda por cima, cheio de erros ortográficos!)

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