segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma pós-verdade sobre o Dr. Mário Soares

Eu não sou ninguém para criticar o Dr. Mário Soares, nem sou pessoa para andar a fazer vénias a qualquer um. Não o conhecia pessoalmente, tive atividade política contra ele e a seu favor, conforme as causas e as épocas. Era um homem contraditório, como todos, e um político que fez História. Como sempre, fico apatetado com a dimensão desproporcionada das homenagens públicas e com ridículo a que membros das «elites» e «populares» se prestam. E mais um pormenor: sempre achei o seu retrato oficial, por Júlio Pomar, um quadro mal acabado.


Posto isto, tenho que dizer que me admira ainda não ter visto enfatizada esta pós-verdade: se havia alternativa ao neoliberalismo, à dependência externa, ao poder do diretório europeu, e se essa alternativa é, como o reconhece a inteligência nacional, a frente de esquerda que nos governa, porque não podemos criticar Mário Soares pelo crime de ter adiado por quatro décadas esse caminho? Por ter afastado os comunistas da governação? Por ter feito de Álvaro Cunhal, e dos seus sucessores, uns monstros? Por nos ter, em alternativa, colocado nos braços do imperialismo americano e da ditadura europeia?




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