terça-feira, 22 de novembro de 2016

As cidades impossíveis 4: Osmös

    Retalhada pelas potências vencedoras da guerra, a cidade de Osmös dividiu-se em duas. Na fronteira comum foi construída uma espessa muralha e cada metade voltou as costas ao outro lado. Infelizmente, a separação foi demasiado rápida, não permitindo que os cidadãos escolhessem o lado em que queriam ficar. Famílias foram fragmentadas e vizinhos e amigos de longa data foram brutalmente apartados.
    Nas décadas seguintes, contudo, muitas pessoas atravessaram a muralha, num movimento lento e contínuo que, conforme a pressão demográfica, se fazia num sentido ou no seu inverso. As famílias foram-se reagrupando e os bairros de cada lado da fronteira recuperaram o seu ambiente de sempre.
    Hoje em dia, os dois lados da Osmös dividida vivem em equilíbrio. São raros os que ainda querem atravessar para a zona oposta, e os que o fazem têm quase sempre razões obscuras.
    A muralha, que continua imponente e intacta, é apenas uma atração turística, onde milhares de forasteiros têm a emoção de recordar uma história que os locais preferiam esquecer.

(Lugo, Galiza)


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