segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O país mudou?

Um assassino anda a monte, depois de vários assaltos, deixando um rasto de sangue. Um supermercado é assaltado com armas de guerra, acabando tudo em mais um morto (e cinco assaltantes em fuga, ainda por localizar). Os enfermeiros fazem greve e os taxistas tomam as ruas num banho de violência física e de palavras. Há escolas sem funcionários nem dinheiro para as despesas diárias e, em Lisboa, não há bilhetes para o metro.

Este é um retrato da última semana, em Portugal. Mas, no mundo dos governantes, dos comentadores e dos seus seguidores, tudo está em paz.

Claro que estas coisas, há dois anos, seriam o retrato de um país em desagregação, de um povo desgraçado. Agora, o país reconciliou-se com o futuro. Podemos sorrir. Os jovens já não são obrigados a emigrar, partem para um mundo de oportunidades. Até o que dantes era fome, com crianças e jovens subnutridos a desfalecer devido à austeridade, agora chama-se «jejum». É verdade, vem nos jornais.


Cuidai-vos, portugueses, com esta anestesia. Eu não partilho do otimismo. Vejam como vinte anos de poder socialista nos Açores levaram a 60% de abstenção nas eleições regionais de ontem. Isso não perturba os «vencedores da noite eleitoral»: nada os leva a questionar a sua governação, nada os leva a afastar-se, pedindo perdão.

Assim é que está bem? A mim, cheira a podre.





Sem comentários:

Enviar um comentário

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!