segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Mais vale ouvir o Sting...


Estamos em pleno Halloween, uma tradição que a nossa sociedade «descobriu» recentemente, para que os nossos jovens, e seus pais, não fossem vistos como provincianos na alta roda da pimbalhada global.

Muitos (como eu) detestam esta «nova tradição», reimportada da América, depois de para lá ter sido levada pelos europeus. A bem dizer, eu detesto todos os dias de tudo que se praticam nos infantários dos três aos trinta e três anos que temos em Portugal.
O que não faço é contrapor ao Halloween a pureza original da tradição do pão por Deus que, em boa verdade, só conheço das notícias e que não se distingue muito de umas Janeiras fora de época - mas reparei que muita gente o faz, falando, saudosamente, de uma coisa que poucos praticaram ou conheceram.
Este escrúpulo parece-me excessivo. O pão por Deus, como a celebração de Todos os Santos ou dos Finados, costumes religiosos cristãos, já eram praticados pelos anglo-saxónicos das ilhas britânicas, ao que parece mesmo antes de serem trazidos para a cristandade portuguesa. Lá, como cá, ocuparam o lugar de tradições pagãs ancestrais. Mudam-se os nomes, atualizam-se os rituais, mas tudo se recicla. 
Mais vale ouvir o senhor Gordon Matthew Thomas Sumner, CBE, mais conhecido por Sting, numa canção do seu maravilhoso disco If on a Winter's night (... a traveler, continuaria Italo Calvino) que se chama Soul Cake. Era assim que os britânicos da época medieval chamavam ao pão por Deus.



Sem comentários:

Enviar um comentário

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!