domingo, 23 de outubro de 2016

As cidades impossíveis 2: Miramar e Ponte Branca

     Ao longo dos séculos foi sempre assim. Miramar tinha um plano, o Plano, e os seus responsáveis pareciam saber onde queriam chegar e por onde ir. Já em Ponte Branca reinava o improviso: os seus habitantes e autarcas viviam e deixavam viver.
     As duas cidades vizinhas nem sempre conviveram pacificamente, mas cresceram juntas até se tornarem grandes, duas quase-metrópoles que, hoje, são apenas uma. Chegaram, como qualquer pessoa avisada poderia adivinhar, ao mesmo sítio. Os seus bairros e as suas gentes interpenetram-se.
     Por vezes, vemos habitantes de Miramar que, tendo-se perdido numa rua tortuosa que cruza a sua, perguntam pelo caminho para casa, que afinal fica ali a dois passos, no Lote 36, Bloco H, Edifício 7.1.42, 12.º andar, Habitação 12.3. da 24.ª Avenida. Ou, então, é o rapaz que entrega pizas em Ponte Branca que se confunde no trânsito intenso das alamedas de sentido único de Miramar e não encontra o prédio de porta vermelha, mesmo ao cimo do Quelho dos Amores.


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