sábado, 22 de outubro de 2016

As cidades impossíveis 1: Santavila e Calvínia

       Santavila, cidade da grande planície, nasceu privada de praças e jardins. Sempre teve dificuldade em respirar, especialmente nos longos e quentes verões, e os especialistas eram claros: só um transplante salvaria a cidade. 
       Encontraram um dador, a cidade geminada de Calvínia, que se dispôs a ceder um dos seus espaços públicos. A intervenção foi delicada, mas os urbanistas conseguiram implantar uma praça de Calvínia no centro de Santavila.
       Infelizmente, o tecido urbano debilitado rejeitou o órgão enxertado, que rapidamente se transformou num parque de estacionamento. Hoje, Santavila sobrevive com grandes dificuldades, ligada a um aparelho de ar condicionado.

Ben Thomas/Barcroft Media

3 comentários:

  1. Em tempos que já lá vão, havia um documentário ou BD (?) do cerco à última árvore de uma cidade. Era uma parábola bem interessante, mas acho que não consigo localizá-la...

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    1. Eu só soube de um ato de vandalismo contra as árvores no Bairro do Cerco, aqui no Porto.

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    2. E hoje, nem de propósito, vejo no site da TSF que, pelos seus lados, também leem o Linguado:
      Um grupo de cidadãos junta-se esta segunda-feira em protesto contra o abate de árvores num jardim no bairro lisboeta. O grupo diz que a Câmara Municipal de Lisboa está desde quinta-feira a destruir um pequeno jardim com árvores de grande porte (tílias e tipuanas) junto ao edifício da Câmara em Entrecampos. Os manifestantes "expressam a sua mais profunda indignação e repudiam veemente o abate de cerca de 30 árvores adultas, aparentemente saudáveis, numa das vias mais poluídas de Lisboa, em troca de um punhado de lugares de estacionamento".

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