sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Adivinhado de passagem 13: oráculo


Antero passava, todos os dias, à porta daquela farmácia, que considerava o seu oráculo pessoal. Havia sempre algumas pessoas à porta, esperando que abrisse, e era olhando para elas que Antero ficava a saber como iria correr o seu dia.

Adivinhava uma jornada desagradável quando lhe parecia que todos os clientes iam comprar pomadas para a psoríase ou cremes para infeções vaginais. Mais irregular, ou assim-assim, seria o dia em que aquelas pessoas estavam com cara de precisar de umas pastilhas para a rouquidão ou, no máximo, um analgésico ligeiro. Mas nos dias melhores, aqueles de que gostava verdadeiramente, havia uma fila de mulheres ansiosas por comprar um tubo de Guronsan.


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