segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Tergiversar

Há alguns dias, numa sessão da campanha eleitoral de Hillary Clinton, houve este momento «selfie».


É hilariante, é triste, é desconcertante, é um sinal dos tempos. Ninguém ali está sozinho, exceto a candidata.
Não vamos estar agora aqui a analisar o que quer ou não quer dizer a fotografia, qual o seu significado real ou simbólico. Prefiro sugerir a leitura de um artigo que li no Libération sobre isto (Le selfie de masse et la candidate dans le rétroviseur, por Olivier Ertzscheid).

Este investigador francês em ciências da informação e da comunicação faz referência, na sua interpretação, ao verbo «tergiversar», que significa  «voltar as costas» ou «usar de subterfúgios ou rodeios; mudar de assunto».
De acordo com Ertzscheid, a tergiversação que esta mass-selfie testemunha é, em primeiro lugar, a de uma geração de homens e mulheres políticas que continuam a adiar o momento de tomar decisões e de dar respostas precisas a uma geração que, mesmo quando se trata de os «apoiar», não pode fazê-lo de outra forma que não seja voltando-lhes as costas.

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