sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Ter boa imprensa é isto


O PM português é um queridinho de grande parte da imprensa, o que é compreensível - ele governa mistificando através dos jornais e TV, dando-lhes uma importância que todos pensávamos perdida (e está, pois a geração da esquerda que lhe vai suceder, incluindo a esquerda católica dos partidos ditos "de direita", prefere governar mistificando através das redes sociais).
Só isso explica que aquilo que já é, há muitos anos, uma linha do mainstream nas políticas públicas urbanas (europeias e não só), a regeneração física, económica e social das periferias urbanas, apareça agora, na boca trôpega do doutor Costa e nas páginas patetas do Público, como uma "ideia", uma "novidade", uma "proposta".

Vale a pena ler:
A proposta do primeiro-ministro parte da necessidade de recentrar o eixo da discussão sobre a segurança na Europa face ao risco do terrorismo. “As pessoas olham para as fronteiras, mas os atentados são cometidos por pessoas que trabalham, estudam, residem, e até nascem nos países da União Europeia”, sublinha António Costa, que quer contribuir para a busca de soluções que esvaziem o perigo terrorista.
“Há uma tarefa fundamental para travar esta radicalização, que é haver políticas públicas para periferias urbanas e também políticas de integração”, defende o primeiro-ministro português que insiste na ideia de que “a população islâmica tem de ser bem integrada”. António Costa vai apresentar uma proposta sobre como essa integração deve ser feita: “Passa pela regeneração física dos bairros periféricos” em várias cidades europeias que alojam parte substancial das comunidades islâmicas, sendo que “muitos desses bairros terão de ser refeitos de raiz”, explica.
Além da componente urbana e arquitectónica da proposta do primeiro-ministro, há também uma componente de inserção social. “Os governos dos Estados-membros da União Europeia e as instituições europeias têm também, de acordo com a proposta defendida por António Costa, de ter em atenção “a componente social de integração”, que passa pela “criação de emprego, de combate à delinquência juvenil, de resposta às drogas, de formação cívica”.

O Público, que tão sabiamente perorou sobre as birras de Rui Moreira e de Emídio Gomes à volta dos PEDUs, devia ir estudar melhor a lição. Ao PM, sugiro que componha um pouco a sua ideia e proponha aos PM grego e dos outros países do "Sul" que sejam as autoridades de gestão dos fundos comunitários portuguesas e as CCDR a montar e gerir estas novas políticas. Se os deslocalizar para a Eslováquia ou Creta estará, pelo menos, a ajudar Portugal.

PS: de qualquer forma, quero dizer que gostei da parte em que Costa refere que "muitos desses bairros terão que ser refeitos de raiz". Boa!

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