quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Europa, a Europa...

Ontem, Rui Tavares escrevia no Público, a propósito da multa multimilionária à Apple (Uma pouca-vergonha) que «a UE pode ser uma ferramenta para acabar com o maior escândalo económico do nosso tempo». No mesmo jornal, outro colunista, José Manuel Oliveira Antunes (O fim de um pesadelo: obrigado, BCE) concluía, acerca do escândalo na CGD: «[Há dias em] que vale mesmo a pena termos instituições  supranacionais que ponham juízo nalgumas cabeças indígenas. Fazer Portugal sair do séc. XIX continua a ser muito difícil e o séc. XX já lá vai».
São dois exemplos, apenas. De súbito, a inteligência nacional deu conta que é mesmo possível que o projeto europeu termine e que isso talvez não seja bom para ninguém - exceto, claro, para os abutres da política, das corporações e da economia.
Para quem, como eu, acredita que Portugal é um Estado que já não faz sentido, e que a sua dissolução seria a melhor solução, este reconhecimento de que (só) as instituições europeias nos podem salvar é bem-vindo.

http://www.transparency.org/cpi2015#map-container
[Nota-se muito que estive, ontem à noite, a rever um episódio de «Sim, senhor Ministro!»?]

[Um bom exemplo português-socialista é a medida anunciada para congelamento de rendas por mais alguns anos. Eu, proprietário de um imóvel no centro da cidade, pago mais impostos do que o valor que recebo de rendas. Além disso, despejam-me em cima uma série de leis e regulamentos que me obrigam a investir permanentemente no edifício - caso contrário, nestes tempos de «estado social», ainda me tiram a propriedade. Ora, um fundo imobiliário, talvez ligado a um conhecido banco, talvez com relação com um conhecido partido político, ou com todos, certamente administrado por um antigo, ou futuro, político, ofereceu-me uns milhares de euros, ficando com o imóvel e os inquilinos. Aceito, claro. Entretanto, eles oferecem uns milhares de euros aos inquilinos para saírem. A maioria aceita, no fim acabam todos por aceitar. E lá teremos um novo empreendimento de luxo no centro histórico, ou um prédio de apartamentos para «alojamento local» de turistas. É isto que o «estado social» quer, certo? E, depois, a imprensa (olha, olha, os donos são os mesmos!) lá virá com a culpa do neoliberalismo, e os iluminados cidadãos lá se indignarão].





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