sexta-feira, 12 de agosto de 2016

De uma vez por todas: a fase Charlie

Estou em França, cujo sul está a arder, e sou bombardeado com declarações estúpidas, e sempre definitivas, de gente da rua, de jornalistas e de políticos sobre as causas e as soluções para o "fenómeno".
Acompanho também o que se passa em Portugal, o país que num dia é mediterrânico e no dia seguinte se pretende boreal. Nesse território árido, sem condições geográficas, climáticas ou de povoamento para ter a floresta que "quer" ter, a reação é ainda mais histérica.
Mas não entremos em pânico. Temos um governo que sabe as causas (os "interesses" por detrás da "indústria do fogo") e tem as soluções (um "grupo de trabalho"). Talvez por isso, a Proteção Civil, os bombeiros e o Professor Marcelo chamam a esta fase do combate aos incêndios a "fase Charlie". Charlie Hebdo ou Charlie Brown, eis a minha dúvida.



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PS: Ao "grupo de trabalho" recomendo a leitura de "Quando os lobos uivam", de Aquilino Ribeiro, para recordarem como se impôs, pela força, esta floresta de pinheiros - e, logo a seguir, de eucaliptos - que, agora, muitos pretendem ser "natural" ou "uma riqueza". Foi ideia dos governos de então.


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