segunda-feira, 18 de julho de 2016

No melhor ministro caem as nódoas



O ministro do Ambiente é o melhor ministro deste governo - é a melhor pessoa, e isso já é meio caminho. Por isso, quando ele diz, numa entrevista ao Jornal de Notícias, que temos 500 milhões de euros para investir em linhas de metropolitano, no Porto e em Lisboa, quase acreditamos.
Quase.
Porque o que JPMF diz é: «Os 400 milhões que estão no Plano Nacional de Reformas corresponderão a um empréstimo do BEI, mas temos a expectativa de poder reforçá-los com mais 100 milhões através da reprogramação do POSEUR em 2017. Portanto, teremos 500 milhões no total».
Ou seja, «temos» mas não temos: alguém vai emprestar-nos 400 milhões e vamos fazer umas reprogramações de fundos comunitários para ir buscar mais 85 milhões - os restantes 15 também alguém há de emprestar. 
Isto é o keynesianismo português na sua mais pura essência. Precisamos destas linhas de metro? Que impacto vão ter na nossa economia? Bah!, isso não importa. O que importa é que «como estimamos ter 500 milhões para investir, será possível fazer mais obras em Lisboa e no Porto». Mesmo que o ministro acrescente, honestamente, que «Ainda não tenho perspetiva sobre a divisão dos 100 milhões adicionais». O que importa é que «temos» dinheiro. Para «investir». Sairemos, certamente, mais ricos deste «investimento», mas apenas no sentido de que os nossos governantes estão convencidos de que nunca teremos que o pagar.


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