sexta-feira, 17 de junho de 2016

Y

Porque ontem passaram vinte anos da morte de David Mourão-Ferreira, fica aqui um pedaço, que nunca esqueci, desse romance que eu considero a sua obra-prima: Um amor feliz.
Deitada de través em cima do largo divã, os seus braços tomam de súbito a postura de dois ramos oblíquos, na quase pânica expectativa de sentir-se adorada. Devagar os vai depois estreitando, até que ficam inteiramente estirados para trás; mas já as pernas entretanto começaram a reproduzir, em posição inversa, o grafismo da mesma letra. Digamos, para simplificar, que se chama Y.



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