segunda-feira, 20 de junho de 2016

TINA, mas pedia-se mais pudor


Portugal é bom para fazer investimentos porque «os portugueses são os que mais horas trabalham na Europa», além de serem muito baratos «quando comparados com os franceses, por exemplo» (...) Esta «é a força que temos de aproveitar no momento em que colocamos decisões de investimento em cima da mesa».
(15 de junho de 2016: Mário Centeno, Ministro das Finanças de Portugal, num almoço-debate organizado pelo Fórum de Administradores de Empresas. Aqui citado pelo Diário de Notícias).

Por incrível que pareça, isto foi dito, e  logo esquecido. Mas mal esquecido, pois estas palavras são o verdadeiro programa do governo para a retoma do crescimento económico. Não há outra, pois a primeira aposta - o consumo desenfreado de funcionários públicos e pensionistas - foi um fiasco, e pedir emprestado para obras públicas começa outra vez a ser muito caro. Tal como no caso da emigração dos professores, o país teria estremecido de raiva se tivessem sido Passos, Gaspar ou Albuquerque a dizer novamente TINA (there is no alternative), agora que a austeridade «acabou».
Não é que eu estranhe: este é o país em que se aprofunda o garrote à nossa Liberdade e em que até a imprensa mostra sinais de medo - ou apenas obedece aos seus donos; é o país em que uma deputada (Canavilhas) se sente à vontade para sugerir o despedimento de uma jornalista, com a ligeireza de quem coloca mais uma camada de maquilhagem, recebendo do jornal apenas uma reprimendazinha. A impunidade está à vista, mas a miséria moral deste povo não dá para mais - e se o Renato Sanches marcar um golo à Hungria, então, tudo estará bem.
A «geringonça» tem mais peças do que parece, e não é só uma solução governativa à esquerda: resulta da aliança entre os DDT do costume, os seus servidores socialistas e a esquerda radical dos novos tempos. Abafar as vozes que questionam e duvidam é uma das suas armas.
Veja-se o caso da Caixa Geral de Depósitos. Passos Coelho, o odiado, começou verdadeiramente a ser tramado quando não fez um favor ao Salgado, do BES, mandando a CGD meter lá uns milhões de euros. Que desplante, pensaram os da gamela - e ao coro de indignados da rua juntou-se o dos bafientos «senadores» portugueses, de todos os tamanhos e feitios, ciosos das suas rendas e pensões. E agora, que diz que quer uma comissão parlamentar de inquérito para perguntar o que se passou na CGD, os bafientos exaltam-se e até o Prof. Marcelo, o Príncipe, já lhe designou sucessor (por acaso, um descendente dos Montenegros, ali de Espinho). Isto de morar em Massamá e de não ter pedigree lisboeta paga-se caro nesta pocilga. Mas faz Passos parecer um homem honesto e o político de que precisamos, o que, só por si, diz tudo o que há para dizer sobre os portugueses e sobre a imprensa portuguesa.





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