segunda-feira, 27 de junho de 2016

São menos de 5%, mas cavalgam a imprensa sem valores

Em 2014, nas eleições para o Parlamento Europeu, o Bloco de Esquerda elegeu uma deputada (tinha, anteriormente, três). Teve 4,56% dos votos (menos de 150 mil). É esta a justa medida em que os portugueses acham que o Bloco deve representá-los na Europa. É esta a proporção com que uma imprensa decente trataria os discursos básicos do grupo de excitados e excitadas que falaram sobre a Europa na Convenção do Bloco.

Sou pelos referendos, mas para que os referendos sirvam para mudar alguma coisa não podem terminar empatados, ou quase. Porque os referendos são inimigos dos consensos, e há coisas em que são necessários consensos. Para mudar, que haja uma maioria clara, ou então que se mude por decisões políticas de gente corajosa. Não com a cobardia de uns 52% quaisquer.

Sou pelos referendos, mas por referendos para as coisas certas. Antes da Europa, impõem-se um referendo sobre a Constituição portuguesa. Falta legitimidade aos regime político português. O resto, a podridão, é uma consequência disso. E os culpados não estão em Bruxelas.

TVI 24

4 comentários:

  1. Os referendos, do meu ponto de vista, são quase sempre perigosos. No seu maniqueísmo original despertam o lado emocional e, por vezes, populista das decisões. São sempre fracturantes.
    Em tempo: reparei a sua preocupação de distinguir, no texto, os géneros, não fosse o diabo tecê-las..:-)
    Uma boa semana (e os meus parabéns, ainda que atrasados...)!

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    1. Obrigado!
      Incomoda-me, verdadeiramente, esta discussão que faz da Europa a culpada não sei bem de quê. Gostava que discutíssemos a nossa organização política e social e o nosso modelo de estarmos uns com os outros. Até acredito que o BE defende essa discussão, e que a queira fazer no quadro global da Europa (ao contrário do que estas atoardas sobre referendos sugerem). Mas, então, deixem-se de nacionalismos quando convém. Lutem pela diluição dos Estados e pelo primado dos cidadãos!

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  2. O Presidente que parece estar sempre em festa, sobre este assunto esteve bem, colocando tudo no devido lugar.

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    1. Ele é calculista e pensou que se defender referendos alguém vai exigir um sobre o regime: monarquia ou república? Naturalmente, venceria a monarquia, desde que Marcelo fosse rei. E como parece que a malta das famílias aristocratas deve ser reservada e falar pouco, isso não lhe convém...

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