terça-feira, 21 de junho de 2016

Os «transparentes»

Será só a mim que metem nojo, os bem-pensantes?

Segunda-feira, de forma veemente, condenam a União Europeia por ser governada por órgãos não eleitos, não transparentes e não democráticos (estupidez: desse ponto de vista, qualquer governo ou primeiro-ministro português também não é eleito, mas sim «escolhido» pelo Parlamento e pelo Presidente). Mas, na terça-feira seguinte, condenam Cameron porque abriu a Caixa de Pandora e convocou um referendo, para saber se o Povo do Reino Unido concorda com a permanência nesta UE. O argumento usado é um monumento de calculismo hipócrita: sabe-se lá o que vem depois, se o «não» ganhar. Traidor à Europa!

Quarta-feira clamam contra os Donos Disto Tudo, a corrupção que grassa no sistema bancário, a promiscuidade entre o mundo político e o financeiro, a falta de transparência na gestão dos negócios do Estado. Na quinta-feira seguinte, no entanto, clamam contra uma comissão parlamentar de inquérito sobre o banco mais promíscuo, a Caixa Geral de Depósitos (preferem auditorias opacas). Mais um argumento hipócrita e calculista: só com o lavar da roupa suja em público, sabe-se lá que consequências aí virão! Traidores a Portugal!

Felizmente, na sexta é feriado e vão todos dar marteladas com alhos-porros na cabeça. Vão para a PQP com a transparência e deixem-me em paz.




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