quinta-feira, 9 de junho de 2016

Mais «novelas gráficas»

Distribuída com o jornal Público, e em edição da Levoir, vem aí uma nova coleção de banda desenhada para os portugueses que não estão familiarizados com a Nona Arte de grande qualidade.



Vamos, primeiro, aos aspetos negativos.
1. O termo «novela gráfica», que traz para a nossa língua a «graphic novel» americana; nunca entendi porque não lhe chamam «romance gráfico», a designação mais certa.
2. A manutenção da ortografia arcaica de 1945, que não ajudará a vender nem atrairá novas gerações de leitores.
3. Se for como a coleção equivalente anterior, o formato (altura, profundidade) muito diferentes entre os diversos volumes: para quê? (Espero que tenham corrigido esta opção).
4. O atraso com que algumas destas obras são, pela primeira vez, editadas em Portugal (antes tarde do que nunca, e glória a quem tem a coragem de o fazer; mas a verdade é que muitos dos verdadeiros fãs, como eu, já têm quase tudo, em edições estrangeiras - incluindo brasileiras).

São questões de somenos, quando comparadas com as edições da Asa que o mesmo jornal distribui (atualmente, andam entretidos a assassinar Jonathan com encadernações foleiras, traduções infantis e edição apenas parcial, sem critério. Eu, um admirador incondicional de Cosey, não compro).



E, agora, o que interessa mais: há, ali, algumas obras-primas, imperdíveis, e o facto de apenas agora aparecerem em Portugal demonstra bem o atraso cultural deste país.
Eu talvez vá espreitar os 6 volumes que não conheço, dos quais comprarei três ou quatro (Prado, Altarriba/Kim, ...) Certamente comprarei «A garagem hermética» (apesar de não ter a dignidade de obra-prima que lhe atribuem), porque a edição que tenho é muito má. Comprarei «Valentina», de Crepax, porque trará histórias que não tenho. Hesitarei no «Fax de Sarajevo», de Kubert, que tenho na edição francesa. Mas, por favor, quem nunca leu estes, ou «V», ou «Os exércitos do Conquistador», quem não conhece Taniguchi ou Mattoti... não perca a oportunidade!

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