sábado, 7 de maio de 2016

O país ridículo

Nelson Garrido / Público

O país ridículo não é só o país dos gravatinhas que inauguram obras de construção civil (depois de nos terem garantido, vezes sem conta, que a era do betão acabou). O país ridículo é também o dos provincianos da província que, amanhã, irão lamber o cu dos provincianos da capital, agradecendo, de cabeça inclinada, a bondade de tão generosa gente. E é também, esse país ridículo, o destes títulos de jornal.


E quem diz dos títulos, diz do resto. A notícia fala de uma península em letra minúscula e de um moço de Paços de Ferreira que tinha medo de levar o carro até Vila Real, para frequentar a universidade. A tua vida vai mudar, Ricardo! Agora, com o túnel, vais poder fingir que já és um homenzinho! E fala também do custo e do tempo que demorou a executar. Ora, senhor Samuel Silva, jornalista do Púbico, terá custado, o túnel, 130 milhões de euros. 400 milhões, dizem, custou essa autoestrada toda. No mesmo período de tempo, o Metro e a Carris de Lisboa deram prejuízos acumulados, que nós todos pagámos, ou vamos pagar, de mais de cinco vezes esse valor. Não precisam de estar com falsas modéstias...

(Posto isto, no próximo domingo já vou utilizar este novo túnel).






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