segunda-feira, 9 de maio de 2016

O misterioso caso do milionário do Porto (1)

A mitologia do crime mundial já tinha o Estripador de Whitechapel (Jack), o Matador de Five Towns, o Assassino da Rua Morgue e outros gigantes como estes. A imprensa portuguesa acaba de criar uma nova figura que encherá de terror as nossas noites: o milionário do Porto. Nunca mais entraremos no quarto de banho de um hotel sem estremecer.



Vale a pena fazer um resumo do caso e, para demonstrar o potencial folhetinesco da história, aqui vai o texto do jornal espanhol La Voz de Galicia:

Podría ser el guion de una película del mago del suspense Alfred Hitchcock. Ocurrió en Vigo pero el suceso ha conmocionado a la prensa nacional de Portugal.
Amanece en Vigo. La feliz, bella y joven esposa de un millonario de Oporto, treinta años mayor que ella, se levanta de la cama en un hotel de cuatro estrellas, entra en la ducha, se broncea con crema corporal y, de repente, nota una sombra a sus espaldas y recibe cuatro golpes en la cabeza con una maza de cantero. Su marido, presuntamente, la tira al suelo y se pone de horcajadas sobre ella para rematarla, pero la atónita mujer logra zafarse en medio de un charco de sangre, arrastrarse por el suelo hasta la puerta y huir desnuda por el pasillo gritando hasta que una limpiadora la socorrió.
Mientras, el hombre sufre un infarto y cae desplomado en el suelo de su habitación con marcas en su espalda y la cara manchada de sangre de ella. Aún seguía consciente y se salvó gracias a que los sanitarios del 061 lo reanimaron. Fue ingresado en la uci del hospital Álvaro Cunqueiro, donde pasó varios días en calidad de detenido custodiado por la policía hasta que se recuperó para hablar.
Os jornais portugueses precisam que o infeliz suspeito nem é bem do Porto, pois  nasceu em Viseu e morava, com a jovem esposa, em Vila Nova de Gaia:
De acordo com informações recolhidas pelo JN, o empresário e a companheira, uma modelo nascida na Roménia, estavam casados há cerca de um ano e a residir em Vila Nova de Gaia - embora vivessem juntos há sete - foram passar uns dias a Vigo. Carlos Pinto terá alegado uma reunião de negócios, o que a Polícia galega suspeita ter sido apenas um pretexto. As autoridades estão convencidas que o milionário teria planeado o homicídio.
Ora, como em todas as boas histórias de mistério e crime que se tornam imortais, esta tem partes obscuras. O homem queria mesmo matá-la? Por ciúmes, por interesse, por desinteresse? Terá premeditado o seu fracassado crime? Parece que sim, pois quem leva, na sua mala, um martelo de pedreiro se não for com torpes intenções? E depois, o que tencionava fazer? Suicidar-se, à martelada, num ato de tresloucada paixão, de desespero pela traição da coisa amada? Escapar, escondendo o corpo no cesto da roupa suja e, calmamente, indo até à sala dos desayunos comer uns churros com chocolate quente? Será o milionário um serial killer e a sua captura vai permitir deslindar muitos casos, até agora, inexplicados?

Não sei, acho que há aqui uns vazios que me incomodam as celulazinhas cinzentas... Pessoalmente, cuidaria de investigar a versão da jovem romena. Tão atlética, sabe-se lá se não terá ela cometido o crime, premeditando a morte do engenheiro reformado? Enfim, não sou especialista, mas com aquele corpo não seria difícil levá-lo a um estado tal que o enfarte era inevitável... Depois, para confundir ainda mais as coisas, martelou-se um pouco e fugiu, nua e ensanguentada, pelos corredores do hotel. Se não aconteceu assim, podia ter acontecido... O que diria o Sete de Espadas? Irá Jaime Ramos investigar com a argúcia que todos lhe reconhecemos?

E, mais importante que tudo: mas, afinal, quando é que morre alguém nesta história?!

 

2 comentários:

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