sexta-feira, 13 de maio de 2016

El millonario de Oporto strikes again (3)

   O Inspetor Portela suspirou e deixou-se cair sobre a cadeira do seu gabinete, extenuado. O calor intenso daquele mês de julho não ajudava, e não tinha tido um dia de descanso desde que as autoridades espanholas haviam passado para as mãos da Judiciária aquele escabroso caso sem mortos, em que toda a gente andava desaparecida. Toda a gente, exceto o principal suspeito - o famigerado milionário do Porto, afinal um sujeito arruinado, agora fechado na cela de uma prisão qualquer lá para os lados de Viseu, condenado por fraude e dívidas fiscais. 
   O caso era ridículo, e se não fosse a pressão da imprensa espanhola (Portela bem via os correspondentes no Porto da Voz de Galicia e do Faro de Vigo, ali fora, quais abutres à espera de carniça), já o teria arquivado.
   Havia quatro pessoas envolvidas. Duas delas tinham desaparecido, juntas, logo a seguir ao crime-farsa: a jovem e bela esposa romena do milionário do Porto e a sua misteriosa amiga portuguesa. Havia o milionário, claro. E agora, deparava-se com um galego, que por acaso era de Puebla de Sanabria, aparecido naquela história sem que Portela ainda tivesse bem compreendido porquê. E que, para ajudar à festa, ninguém sabia onde parava, pois sumiu-se mal saiu da esquadra da polícia, em Vigo.
   Portela abriu mais uma Coca-Cola Zero e voltou à leitura do volumoso processo, precisamente na parte mais sumarenta do depoimento do galego-leonês. Afinal, teria sido tudo um lamentável acidente?




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