quarta-feira, 13 de abril de 2016

Excesso de qualificações, ou a história de Márcia e Bruno




1. Márcia licenciou-se em relações públicas e fez o seu mestrado em sociologia do trabalho. Como queria continuar a viver e a trabalhar em Portugal, lá arranjou emprego como caixa no Continente. Ganha pouco, mas felizmente tem uma vida confortável, já que o seu companheiro Bruno, com o diploma de engenheiro mecânico ainda fresco, tem um rendimento decente da sua atividade de prostituto. Conclui-se, da história de Márcia e de Bruno, que Portugal é um país extremamente qualificado, em que até as caixas de supermercado e os prostitutos são licenciad@s.


2. Aqui há uns dias, Santana Castilho escrevia, no Público: 

«Sendo certo que a qualificação dos portugueses está longe dos níveis dos nossos parceiros mais desenvolvidos, pode António Costa atribuir o atraso económico a esse fenómeno? Como assim, num país que exporta médicos, engenheiros e enfermeiros (só no Reino Unido estão 12.000), e que por cá desperdiça no desemprego, nas caixas dos supermercados e nos “call centers” dezenas de milhares de licenciados (professores, arquitetos, juristas,etc.)?»
3. Hoje, a imprensa destaca um dos resultados de um estudo (promovido pela Fundação Belmiro de Azevedo e coordenado pela socióloga Patrícia Ávila) sobre o Valor Atribuído pelos Portugueses à Educação: mais de 40% dos portugueses que estudaram numa universidade ou num politécnico dizem que as qualificações que têm são em excesso para aquilo que o trabalho exige.

4. Não, efetivamente, António Costa e o governo não podem atribuir o atraso económico à falta de diplomas. A nossa economia e a nossa sociedade é que são pequenas e pouco exigentes. E é por este lado da questão que eu acho que as políticas públicas deveriam andar.




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