quarta-feira, 6 de abril de 2016

E se fossem...?


E se fosse eu?, ou, em estrangeiro, What’s In My Bag?, é a nova tendência urbana em Portugal. Funciona assim: as gradas figuras da nossa praça e as criancinhas das escolas dizem o que levariam na sua mochila se tivessem a sorte desgraçada dos refugiados, os que fogem da guerra, da fome, das perseguições, das doenças. A imprensa delicia-se e delicia-nos com os relatos (o nosso presidente/professor, por exemplo, levava «Fotografias de família, uma Bíblia, o livro Guerra e Paz e um telemóvel - com carregador», claro, não esqueceu este pormenor delicioso). No final, enternecem-se todos muito, sorriem por ser tão bondosos e vão jantar a ver, nas emissoras de televisão de Lisboa, as crianças que morrem de fome algures no mundo atrasado.

Tudo isto com o alto patrocínio da República Portuguesa e da nossa sociedade de grunhos.

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Nota em favor das criancinhas: daquilo que li, nenhuma disse ou escreveu coisas tão imbecis como as do senhor Sousa, o presidente.


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