segunda-feira, 11 de abril de 2016

Com as devidas proporções...



Em complemento à posta anterior, e para que a demagogia de alguns e a nossa própria irritação não nos toldem o raciocínio.
As estimativas que andam por aí (por exemplo, da Tax Justice Network ou da OXFAM) apontam para um total de 15 a 20 biliões (milhões de milhões) de euros escondidos em «paraísos fiscais». Vá lá, alguns admitem que este número está subavaliado e que estará entre 25 a 30 biliões. As mesmas estimativas tentam também aferir o que significa isto em termos de receitas fiscais que não são arrecadadas pelos Estados, chegando a valores da ordem dos 150 a 200 mil milhões de euros - em todo o mundo. Ou seja, duas a três vezes o recente programa de assistência financeira a Portugal (da Troica), ou o valor aproximado dos pacotes de assistência financeira à Grécia. Em todo o mundo, repito. Parece muito e, ao mesmo tempo, não parece.
É sempre muito, se for ilegal, ou mesmo se for legal mas de moralidade duvidosa. Mas daria para erradicar a fome e, pelo caminho, combater as alterações climáticas, salvar as escolas e os hospitais portugueses e preparar-nos para o impacto das mudanças tecnológicas no mercado de trabalho, o que quer que isso seja? Claro que não.
Até posso admitir que ajudava, mas convém não ser anjinho. Se passarmos isto agora pelo crivo da corrupção dos Estados e das sociedades, quanto deste dinheiro ficaria em desperdício, prebendas, funcionários, legisladores, governantes, assessores, pensões e regalias para os que já têm muito? Todo? Quase todo? «Apenas» a maior parte?

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