segunda-feira, 4 de abril de 2016

Choque reformado

O eurodeputado socialista Carlos Zorrinho publica hoje, no Jornal de Notícias, um artigo a que chamou «Resgatar Portugal», defendendo o «Programa Nacional de Reformas» (PNR) que foi apresentado na semana passada pelo governo, numa festa de arromba. Deixando de lado o logro que é considerar um power point cheio de generalidades como «a matriz reformista do Governo do PS e da base política do novo ciclo» (e o facto de se apresentar uma coisa que terá que ser entregue à Comissão Europeia no início de maio como estando em «discussão pública»), é curioso que seja Zorrinho o porta-voz da defesa pública deste PNR, por duas razões.

A primeira é que Carlos Zorrinho foi o coordenador, no saudoso segundo governo de Sócrates, do Plano Nacional de Reformas 2020, o qual, mesmo sendo discutível, estava a léguas do que agora nos apresentaram, pois não só definia metas e objetivos, como fazia opções de política e de ação.
A segunda razão é que todos recordamos que Carlos Zorrinho foi o coordenador do Plano Tecnológico, durante o saudoso primeiro governo de José Sócrates, sobre o qual, ainda em 2009, escrevia:
Choque de sustentabilidade
Nas eleições de 2005 o PS propôs aos eleitores um choque tecnológico como forma de impulsionar o País para uma nova plataforma competitiva. Traduzido numa agenda de mobilização e num compromisso de acção, designada como Plano Tecnológico, a ideia política do choque tecnológico multiplicou-se em políticas, medidas e iniciativas e melhorou os indicadores de suporte à competitividade em Portugal, com reflexo numa forte convergência com os indicadores de inovação da União Europeia.
Ora, na própria apresentação do PNR, há meia dúzia de dias, o primeiro-ministro afirmava, impante:


Fica, assim, o sentimento de que Carlos Zorrinho está um pouco deslocado: ele não parecia homem de programas tipo power point e acreditava em choques. Terá mudado de visão? Ou, como se diz, o Parlamento Europeu é apenas o local de retiro de políticos reformados, e agora essa é a única reforma que lhe interessa?
Preferia a primeira hipótese. O próprio primeiro-ministro, um homem de grande profundidade e credibilidade, há pouco mais de um ano também era grande defensor de choques:



 

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