quinta-feira, 28 de abril de 2016

Amor de perdição, ou nem tudo são Rosas

Utilizo, para ilustrar esta croniqueta, mais uma fotografia de Jorge Portojo, cujo blogue A Vida em Fotos me ajuda muitas vezes a conhecer melhor a cidade do Porto. A estátua, da autoria do Mestre Francisco Simões, está em frente à antiga Cadeia da Relação, no Largo Amor de Perdição (que é, desde 2012, como se chama oficialmente o antigo Campo dos Mártires da Pátria).


Vem isto a propósito das diversas homenagens que hoje se fazem ao político, historiador, escritor, professor, militante e fundador de diversos partidos, comendador, comentador televisivo e cidadão lisboeta Fernando Rosas, que se vai jubilar e dá neste dia a sua última aula. E, se digo «cidadão lisboeta», é porque acho que não merece ser chamado «cidadão português».

Ficou-me esta aversão quando, no final dos anos noventa do século passado, Rosas se manifestou publicamente contra a instalação do Centro Português de Fotografia no Porto (precisamente ali, na Cadeia da Relação), porque seria uma grande maçada, para as inteligências nacionais que se dedicam à investigação, deslocar-se ao norte para consultar uns documentos. Se as palavras não foram estas, o argumento era tal e qual.

Gosto sempre de recordar esta atitude de Rosas. Dá-me conforto moral para não gastar nem um tostão no peditório do Sequeira e para desprezar certos jubilados bem instalados na gamela do Estado.


4 comentários:

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    1. Hei de estar a trincar um bolinho de bacalhau com queijo tipo serra pensando neste pastel de bacalhau...

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  2. Todas as rosas têm espinhos, mas convém não esquecer que, ao contrário de Eça, Camilo nasceu em Lisboa... Em seu abono, há que acrescentar que comeu muita comidinha transmontana e minhota, que o pode ter ajudado a ser um português de lei.
    Quanto à escultura da Relação, deixe-me dizer-lhe que o que li de Camilo (quase todos os romances) não permite estas divagações pueris e vagamente eróticas, do escultor.
    Como diria o Remédios: "Não havia necessidade..."
    Infeliz do Camilo, que a escultura de Lisboa, próxima da Praça do Marquês de Pombal, ainda é pior...

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    1. Acho que a escultura não é sobre a obra, mas sobre o que ia na cabeça do Camilo nas loooooongas noites do calabouço...

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