quarta-feira, 23 de março de 2016

Terror


O Terror volta a atacar, dizem-me todos. Gostava de os corrigir, mas já não vale a pena. O Terror está por aí, há muito tempo, e ontem apenas se aproximou de novo.
Eu tenho medo dos terroristas, como tenho medo da vida farta que provoca enfartes do miocárdio ou de conduzir um automóvel, ato que me levará à morte ou ao estropiamento com mais probabilidade do que uma bomba do Daesh. Num caso, como nos outros, posso ter mais ou menos cuidado, mas não posso anular os riscos.
Há uma coisa de que tenho mais medo. É do que fica depois dos atentados, da opinião douta de ignorantes, criminosos e imbecis, da raiva das massas. Ontem ouvi opinadores com ar cândido a dizer que «isto» é  tudo obra dos muçulmanos, mas que não devemos odiá-los. Ouvi especialistas falar das hordas de terroristas que se infiltram nos grupos de refugiados, mas que não devemos escorraçar estes. O que pretendem, para além de ouvir a própria voz, estes faladores? Espicaçar a raiva da populaça?
Ouvi também políticos portugueses, daqueles que nos governam, os do PCP e do Bloco de Esquerda, dizer que a culpa é minha. Eu é que vivo em conluio com a Europa de Direita, criminosa. Eu é que bombardeei a Síria e o Iraque. Estava à espera de quê?
Se não tivesse medo deles, lamentava-os, apenas. Porque, parece-me, não os posso processar: são intocáveis, são a voz do Tempo Novo.

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