terça-feira, 8 de março de 2016

Messianismos portugueses

Os portugueses vivem na crença do regresso do seu país a um esplendor perdido, embora não façam muito para isso. São dados a sebastianismos, a salazarismos e, claro, a cavaquismos, como acontecerá daqui a poucos anos (por muito que isso custe aos detratores do político mais marcante das últimas décadas em Portugal).
Desconfio é que os súbitos amores da pátria pelo Professor Marcelo não hão de dar origem a nenhuma saudade coletiva. O figurão não está à altura, e quando terminar o período de graça talvez muita gente deixe de o achar engraçadinho.

 

3 comentários:

  1. Ora, eu a julgar que marcelava... Seja piedoso, dê, pelo menos, 100 dias ao homem!
    Estou para ver, para além do F.C.P. e do nordeste luso-leonês, por quem bate o seu caprichoso coração. Que isto de estar sempre com o "non" de Vieira é sempre muito cómodo e nunca afecta a reputação. Para isso já nos basta o VPV e MC.
    Sem ofensa!

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    1. Ora, eu nunca votaria Marcelo - votei Henrique Neto. Também não cavaqueio (mais uma vez, nunca votei nele, nem para PM nem para presidente). Aqui, só estou a comentar os súbitos amores da esquerda lisboeta pelo ex-inimigo, por contraponto ao desprezo pelo homem que não veio da Bobadela ou arredores. Custa muito às "elites", mas acredito que o que vai ficar de Cavaco é a memória enevoada de uma época em que, se bem nos lembramos, havia uma esperança de qualquer coisa. Daí à saudade, são dois passos. Ainda alguém dirá que Pessoa escreveu a Mensagem intuindo Cavaco a surgir do meio da neblina.

      PS sobre o meu voto.
      Fui, enquanto jovem não eleitor, militante do partido de Sá Carneiro, até chegar a uma coisa chamada AD. Como beatice e monarquia não encaixam comigo, e entretanto dei conta do asqueroso país centralista que temos, deixei de votar para o governo de Lisboa - primeiro alinhei na abstenção ativa, depois (2011) no voto em branco; mas, no ano passado, voltei a votar, desta vez na PàF, porque com a idade ficamos mais tolerantes às beatices, mas não a coisas como António Costa ou Bloco de Esquerda.
      Nas presidenciais: 1986, as primeiras em que podia votar - Soares (aarggghhh para Freitas); 1991, 1996, 2001, 2006 - abstenção; 2011 - Fernando Nobre; 2016 - Henrique Neto.

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    2. Sempre fui mais pró-activo, mas cada um rege-se pela experiência que teve. Branco, nunca usei, e abstive-me uma vez, por impossibilidade física. A experiência da crise académica coimbrã de 1962-63, negativa, definiu o meu voto, a partir de 1969.

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