quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Os falsos e os verdadeiros problemas (1)

 

Os atuais partidos do sistema parlamentar (PSD, PS, BE, CDS, PCP, PEV e PAN) querem todos, mais ou menos, o mesmo país. As soluções para os nossos verdadeiros problemas, que são ancestrais, não distinguem por aí além os governos portugueses mais à esquerda, ao centro ou à direita. Por isso, são secundárias as questiúnculas sobre orçamento e impostos, em que se discutem décimas, ou sobre a legitimidade de um governo que nasce de uma maioria que não foi a votos (para ser claro, nenhum partido que vai a votos em Portugal se preocupa em cumprir os compromissos do seu programa eleitoral, se por acaso for governar).
Os nossos verdadeiros problemas são, essencialmente, a falta de educação dos cidadãos, a desresponsabilização (individual e coletiva) e o modelo centralista e tentacular do Estado - coisas ligadas entre si, que se alimentam mutuamente e que são acarinhadas pelos partidos políticos que temos.
No entanto, apesar de conceberem o país mais ou menos da mesma forma, há algumas diferenças entre a atual orientação socialista e o arremedo de "liberalismo" que o anterior governo representava.
Olhando para o Portugal futuro, eu acredito que o caminho geringonço que a esquerda está a abrir manterá, e aprofundará, os três eixos que referi, gerando um monstro onde a liberdade e a responsabilidade estarão altamente comprometidas, com cidadãos embrutecidos debaixo de um manto disforme e pretensamente protetor. Ao passo que o caminho alternativo, o pàfista, tenderia, pelo menos, a permitir cidadãos livres, que poderiam, se o quisessem, continuar a lutar por uma sociedade mais digna.
Não sendo o ideal (porque um Estado imenso, centralista e corrupto fazem parte dele), creio que esse caminho alternativo será, infelizmente, o único possível nas próximas gerações (a menos que venha alguém de fora governar-nos). No nosso retângulo à beira da praia começamos, desde tenra idade, a viver neste triângulo vicioso. Reparei que, hoje, dois colunistas do Público, olham para as opções políticas do atual governo  em matéria de Educação e notam como se fabricam gerações de carneiros nas mãos do Bom Pastor, o Estado. E não se pense que estes colunistas são perigosos apoiantes de Passos e dos "neoliberais". Santana Castilho passou anos a malhar, de forma violenta, nas políticas e até na maneira de andar ou pegar na caneta de Nuno Crato. E Ribeiro e Castro, nas suas posições públicas, nunca foi um apoiante do governo PSD/CDS.
A falta de tempo para os pais se dedicarem ao crescimento dos filhos é um problema social real e grave. Mas encontrar pais de substituição (professores e outros técnicos) e lar alternativo (escola) é acrescentar ao primeiro um segundo problema. [... o PS...] insiste no desígnio, pedagógica e socialmente aberrante, de nacionalizar as crianças e facilitar a escravização dos pais.
(Santana Castilho: Escola a mais, pais a menos)
O que o quociente familiar faz é atribuir a um filho um determinado coeficiente (...) na determinação do rendimento colectável da família.(...) está ordenado à finalidade de sustento que é da moralidade comum e imperativo da lei, civil e penal (...). A via da esquerda que governa é diferente: carrega às cegas; e, depois, devolve um pequeno subsídio fiscal igualitário como dedução à colecta. Num caso, o rendimento é considerado de toda a família e protegido na sua formação; no outro, é como se os filhos fossem encargo do Estado, recebendo umas deduções à mercê do arbítrio de cada Orçamento.
(José Ribeiro e Castro: O assalto ao quociente)


Sem comentários:

Enviar um comentário

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!