terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A companhia de bandeira

Primeiro foram as luminosas «elites lisboetas» que levantaram a voz da indignação, chorando a companhia de bandeira, a TAP, que afinal é TAL e TAB (oscila entre Lisboa e o Brasil). Que não pode ser privada, que o interesse nacional, e as caravelas, e coiso...
Com regozijo de muitos, como eu, vendeu-se a geringonça. Eu até a tinha dado, e seria sempre bom negócio. Para melhor negócio, fechava-a e vendia as peças que sobrassem.
Mas depois veio o poder da Esquerda, o socialismo esclarecido, o tempo novo, e «reverteu-se» o negócio. Não sei se o anterior foi ou não transparente: sei que este vai custar-nos muito mais dinheiro.
Neste entretanto, a «TAP» privada, liderada por um gestor daqueles que afundam empresas, mas têm sempre boa imprensa (a boa imprensa é um produto como outro qualquer, compra-se a baixo preço), tinha decidido fazer uma alteração nas rotas, acabando com uns voos e abrindo outros. Assistiu-se, então, ao choro das «elites nortenhas», que se tornou convulsivo quando a coisa foi renacionalizada. Com alguma razão: uma companhia privada enterra o dinheiro onde quer. Mas, com a «reversão» socialista, levantam-se muitas questões.



Podemos começar pelo interesse nacional e geoestratégico. Esvaziar o aeroporto do Porto de uma das suas grandes vantagens competitivas (para além da qualidade, sistematicamente reconhecida a nível internacional), que é ser o aeroporto de uma região com quase seis milhões de habitantes num raio de duas horas (o de Lisboa pouco ultrapassa os quatro milhões), anula uma das poucas situações em que, entre Espanha e Portugal, a balança pendia para o lado de cá. O Porto, e Portugal, competiam com Madrid. Custou muito trabalho, a muita gente, a muitas instituições, criar este consenso com os galegos em torno do FSC. Não é preciso ter o serôdio nacionalismo dos comunistas que nos governam para achar que isto cheira mal. Ainda por cima, trocando por uma ligação Lisboa-Vigo. Sim, numa submissão nunca vista aos «interesses estrangeiros», a «TAP», que é 50% dos contribuintes portugueses, será a primeira companhia aérea a fazer voos internacionais de Vigo, roubando passageiros a um aeroporto português...

Outra questão é a da racionalidade económica. A «TAP» anuncia voos Vigo-Lisboa e Porto-Lisboa a preços módicos. No caso de Vigo, prevê taxas de ocupação de 70 a 75%, e ainda vai oferecer pequenos-almoços e hotel aos passageiros que chegarem de Vigo. Na «ponte aéreo» com o Porto, propõe-se levar a CP à falência. Ora, para quem encerra ligações com taxas de ocupação de 85%, a preços pouco módicos, com o argumento do prejuízo, isto parece mesmo uma decisão à António Costa + Fernando Pinto, para quem os números continuam a ser um mistério e sabem que, no final, aparece sempre alguém a pagar a conta. Mais ainda: para os galegos, o Porto é aqui ao lado (vêm de carro e de camioneta e demoram meia, uma, duas horas no máximo) e compensa vir cá apanhar aviões para todo o mundo.  Ir a Vigo, para ir a Lisboa, para depois ir para o Brasil... Ora, isso fazem como eu quando vou ao Brasil: escalo em Madrid, onde tenho mais opções e melhor serviço. Os donos da «TAP» em breve vão descobrir que os galegos lhe fugiram. E, assim, a «TAP» continuará a empobrecer e a envergonhar Portugal.

Uma «TAP de bandeira», em cuja administração os amigos do Dr. Costa agora têm assento (certamente bem remunerado), em putativa representação dos interesses dos portugueses (embora com as devidas orientações dos DDT do costume), não pode, pura e simplesmente, achar que não tem que explicar isto. Nem a «TAP» nem o Dr. Costa.

Quanto ao presidente da Câmara Municipal do Porto, com a sua agenda de louco furioso, o seu agarrem-me, senão eu mato-os? Vai estragar tudo. É um menino mimado, que barafusta onde é necessário agir como os tubarões: sem bazófia, pela calada, em ataque fulminante e no alvo certo. E o alvo não são os vizinhos...


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