terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O meu voto

Há eleições em que é fácil escolher, por haver poucos candidatos que distinguimos facilmente, por serem realmente diferentes. É o caso destas eleições presidenciais, em que até pode parecer difícil, porque aparentam ser muitos, mas na realidade são apenas quatro.

Os outros não contam, não são opções sérias, e nem se compreende bem porque são candidatos - mesmo que venham a ter muitos votos. Falo de Tino de Rans, Jorge Sequeira, Cândido Ferreira, Paulo de Morais, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. Não sei se são boa gente, se são licenciados, se são independentes - nem isso interessa muito. Não entendo ao que vêm, nem se são sinceros no que dizem, nem se são ingénuos, ocos, bobos, vaidosos ou fingidos. De qualquer forma, seriam sempre um perigoso brinquedo nas mãos dos donos disto tudo. Não têm força.

Restam os candidatos a sério, aqueles que sabem o que dizem e de quem sabemos o que querem.

Edgar Silva para os comunistas. Ele é capaz, sabe a lição e até vai ser o próximo secretário-geral do PC. Nunca estaria sozinho na presidência da República, teria sempre a disciplina doutrinária e todo o imenso "aparelho" político e sindical do PCP ao seu lado.

Marisa Matias para as pessoas que acreditam numa alternativa de esquerda. É política experimentada, deputada no Parlamento Europeu. As suas ideias até já servem para governar o país, por isso não estranharia que servissem para a presidência. O facto de ser uma berrante demagoga só dá coerência à figura.

Henrique Neto, para os que acreditam numa sociedade mais liberal do que a que os dois candidatos anteriores representam. Com um passado e uma postura que aprecio, tal como aprecio aquele ar desconsolado sempre que os jornalistas lhe fazem perguntas estúpidas.

Marcelo Rebelo de Sousa (não devia estar neste grupo, porque não sabemos bem o que diz nem ao que vem, mas o povão gosta), para os que preferem uma figura mais conservadora - no sentido em que conserva a promiscuidade entre o Estado e os seus donos, pelo que tanto serve à direitalha católica como aos socialistas. Vai às lojas comprar bolinhos, num estilo apalhaçado que não fica mal a um putativo presidente - já tivemos Mário Soares, porque não Marcelo? É, sem dúvida, o mais consensual, servindo a todos mas, sobretudo, a si próprio.

Eu vou votar em Henrique Neto. Ou não vou votar, mas se votar é em Henrique Neto. Será um foco de equilíbrio para qualquer governo, à esquerda ou à direita. Não será um presidente de fação, como são os restantes candidatos, à exceção de Marcelo.

Claro que vai adiantar pouco. Marcelo ganha à primeira volta (ou à segunda, contra Nóvoa, o ex-militante da esquerda radical e atual candidato apoiado pelo MRPP e pela burguesia fina - Maria de Belém, com a sua pensão vitalícia, transformou-se aos olhos de quase todos numa "indecência política ambulante, ideologicamente marreca, sonsa e pé-de-galinha ... politicamente pigmeia e rastejante", como escreveu, com a elevação que o caracteriza, essa figura grotesca que dá pelo nome de Alfredo Barroso).



2 comentários:

  1. Ai!, as corporações, as corporações, neste país...
    Mas estou certo que não se vai arrepender do seu voto.

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    1. Mente sã em corporação... Sei lá se me arrependo. O candidato está com um ar tão acabado...

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