quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Noite de São Martinho

Saio para a noite de Díli, que está, como sempre, quente. Tão quente que, se não fosse ser tão escura, ninguém diria que é noite. Vou jantar ao Wasabie – Japanese & Indonesian Food Restaurant.
Fico apaixonado por um prato de noodles de arroz com seafood. Bihun Goreng para vocês também, apetece-me dizer, mas as meninas não entendem muito bem o meu português.
Das pequenas salas reservadas, de cortinas corridas, ouvem-se risos juvenis de pessoas que, noto depois, já não são assim tão juvenis. Mas riem-se como se fossem.
À saída, os trezentos metros até ao hotel são ainda mais escuros, porque o trânsito está a desaparecer. Em breve serão raros os carros e as motorizadas, mais raras ainda as pessoas. 31o centígrados. E são dez horas. Vinte e duas.
Há vozes – a esta hora, nas ruas, em qualquer canto e esquina, há sempre vozes. Algumas cumprimentam e vendem coisas: nas suas bancas com rodas vê-se tabaco, coca-cola, guloseimas variadas, gasolina em garrafas de água de litro e meio, para as mil e uma motorizadas. E água, mesmo água, indonésia, e que portanto se diz e escreve «air».
É de água que preciso, e compro três garrafas. O destino dirá se, um dia, alguma delas estará de novo aqui à venda, cheia de gasolina. Recebo o troco nas notas de um dólar mais sujas e amarrotadas que já vi na vida. O ex-presidente George Washington parece a cantora Lady Gaga.



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