domingo, 18 de outubro de 2015

Histórias pornográficas 1

Aviso prévio: a linguagem é porca, a situação é real.
Conan, o Bárbaro
Nos anos 80 do século passado, nas minhas voltas pela cidade, parava frequentemente nas (muitas) bancas improvisadas que, em plenas ruas do Porto, vendiam revistas e livros usados. Procurava, especialmente, as edições, antigas ou modernas, de banda desenhada, quase todas portuguesas ou brasileiras. As minhas predileções eram o Mundo de Aventuras, o Tintin Semanal, qualquer publicação com o Zé Carioca ou o Peninha e os super-heróis Marvel, na altura editados pela brasileira Abril. Em particular, entusiasmavam-me as histórias de Conan, o Bárbaro - que apareciam em três revistas: Superaventuras Marvel e Heróis da TV, em pequeno formato e a cores; e A Espada Selvagem, em formato maior, a preto e branco.

Numa dessas ocasiões, num dos meus locais preferidos - entre o Coliseu e o Olympia, em plena Rua de Passos Manuel -, a colheita afigurava-se promissora. Já tinha selecionado duas ou três edições, que não conhecia, quando a vendedora, vendo-me escrutinar tão diligentemente as pilhas de papel colorido, se aproximou e me perguntou, com ar simpático e despachado:
– Anda à procura de alguma coisa em especial?
Mostrei-lhe as revistas que já tinha na mão e respondi:
– Bem, sim... de revistas do Conan...
Ela, com a experiência dos seus sessenta anos, olhou-me com um ar cúmplice e baixou a voz:
– De cona? Ah! Pornografia? Veja ali daquele lado, tenho muita coisa!
Não sei como me expliquei, provavelmente já muito corado. Mas hoje arrependo-me de não ter seguido o conselho da senhora. Tivesse trazido as resmas de Ginas e Tânias que ela tinha para vender e hoje era, certamente, um homem rico.






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