quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Análise política

Não há nenhuma «maioria de esquerda», pelo menos «desta» esquerda. O meio milhão de votos que passou da PàF para o PS não sabia que o PS ia dar este golpe de rins. Aliás, como Costa aprenderá, nem os militantes do PS desconfiavam.

Isto não tira o direito a Costa e aos partidos extremistas de se entenderem e governarem. Não é transparente, não é liso, mas é «legal». Todos viram o Borgen, mas esquecem que no país do Borgen os eleitores sabem ao que vão. Aqui, sabiam da parte da coligação PàF, que se apresentou para governar, sozinha ou com o PS. Está escrito e foi dito, a seu tempo. Do outro lado, pelo contrário, os programas eleitorais e os debates estão cheios da expressão «ao contrário de...» (do PS, do PCP, do BE).

A coligação de esquerda, como a de direita ou a do centro, não tem que ser formal e pode constituir-se depois das eleições. Mas convém que cada protagonista diga quais são os seus horizontes antes das mesmas. O que vai negociar, até onde está disposto a ceder, que alianças não lhe são repugnantes?

Mas não pode perder-se a oportunidade de deixar esta «esquerda» governar. Já agora, experimenta-se. Os portugueses ficam assim a saber como governam as diversas combinações: direita, centro, esquerda, com um deputado dos queijos aqui e ali.

E estes grupos precisam, também, de conhecer a força da rua e a voz do povo. Que, acreditem, não são apenas, nem maioritariamente, os trabalhadores das empresas públicas de transportes nem os funcionários da Dona Avoila ou do Doutor Nogueira.

As próximas eleições sim, serão a sério. Mas apostaria que os partidos e as coligações que se vão apresentar já não serão exatamente as mesmas. Que o digam os futuros dissidentes do PS.

Este processo demonstra ainda que não precisamos deste sistema político, mas de um em que os deputados sejam responsabilizados perante quem votou. O que se passa com a carneirada que acaba de ser eleita? Os candidatos socialistas sabiam desta nova aliança? Precisamos mesmo de tantos deputados, se é para ficarem a olhar para Costa como quem olha para Medusa?



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