sábado, 5 de setembro de 2015

memória de canções, em contre-plongée

De manhãzinha, na praia da Memória, éramos nós, algumas gaivotas e uns passarocos alegres.




Deitados nas dunas, alheios ao mar picado, olhávamos o céu azul, como que num contre-plongée cinematográfico.
Em primeiro plano, as gaivotas voavam, voavam, asas de vento abertas como um sopro do coração.
Logo atrás, lentamente, algumas nuvens moviam-se, levadas por meras brisas, raras, que não chegavam a ser prenúncio de nortada.
Mais perto do céu, Dona Lua deixava ver o seu sorrir, feliz por ver o Senhor Sol.
E, em último plano, o infinito, da cor do mar.
Último? Infinito? Não: um sonho azul levou-nos ainda mais além, nas asas do turbilhão.

(Augusto de Lima sobre tela de música popular portuguesa, Praia da Memória, Matosinhos, 2009)







Sem comentários:

Enviar um comentário

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!